Para conseguir anistia, Fujimori encaminha documento fraudado

O polêmico pedido de anistia para o ex-presidente do Peru Alberto Fujimori, encaminhado pela família e por aliados políticos, ganhou novos elementos nos últimos dias. O procurador Anticorrupção do Peru, Julio Arbizu, disse que Fujimori forneceu informações fraudadas à Justiça. A decisão sobre a concessão de anistia é definida pelo governo peruano. Fujimori cumpre pena de 25 anos por crimes contra a humanidade e violações de direitos humanos.

Fujimori é acusado também por um grupo de mulheres de esterilização forçada e sem consentimento, no período de 1996 a 2000, em diversas cidades peruanas, na região de Cuzco. Há indicações de que cerca de 300 mil mulheres tenham sido esterilizadas no período, por meio de ações do governo.

"Está confirmada a prática de um novo crime de falsificação”, disse o procurador, que mencionou irregularidades na cédula de identidade e no fornecimento do endereço residencial. “Falsificar um documento público é crime contra a fé pública", ressaltou.

Segundo o procurador, Fujimori forneceu o endereço de uma casa abandonada, como se ainda vivesse lá, embora esteja cumprindo pena na Penitenciária de Barbadillo, na periferia de Lima, capital peruana.

Há cerca de três meses, o governo do Peru indicou não ter pressa para decidir se vai conceder o indulto a Fujimori. Em outubro, o primeiro-ministro peruano, Juan Jiménez, disse que não há prazos para definir o tema. Na ocasião, ele disse que o "governo do Peru tem muitos assuntos importantes a serem tratados".

O governo peruano recebeu vários pedidos de indulto encaminhados por diversos setores em favor de Fujimori. Todos os pedidos alegam que o estado de saúde do ex-presidente é grave. Fujimori cumpre pena de 25 anos de prisão por crimes de corrupção e contra a humanidade.