Família de brasileira morta durante voo diz estar desassistida

A família da brasileira Helen Leite, 25 anos, que morreu durante um voo de São Paulo a Dallas, nos Estados Unidos, revela que não recebeu assistência por parte do Consulado Brasileiro em Houston, cidade americana onde o avião da empresa American Airlines pousou depois que ela passou mal a bordo.

De acordo com o tio de Helen, Carlos Eduardo Zacarelli Elias, poucas foram as informações repassadas pelo órgão até o momento. Os familiares teriam recebido apenas uma ligação nesta quarta-feira informando que a jovem havia morrido, sem detalhes sobre o que houve a bordo e sobre a causa da morte. Ainda segundo ele, apenas o atestado de óbito seria fornecido pelo Consulado. “Qual o objetivo da Embaixada e do Consulado, senão ajudar os brasileiros que estão legalmente lá fora? Ela foi para estudar inglês e para trabalhar, não estava ilegal”, questiona ele.

Os pais da vítima, uma dona de casa e de um pintor que vivem na pequena cidade de Palmital, a 421 km de São Paulo, ainda não sabem como será feito o translado do corpo da jovem para o Brasil. Além disso, de acordo com Elias, antes do embarque para os Estados Unidos, em junho de 2012, a agência da capital paulista, que contratou a jovem para trabalhar como babá e cursar inglês, realizou um seguro para a viagem no valor de US$ 7,5 mil (pouco mais de R$ 15 mil), que não seria suficiente para custear as despesas estimadas em R$ 20 mil. “Estamos mobilizados para tentar ajudar, mas ainda não sabemos como vamos fazer”, revela.

A mãe da jovem, Dirce de Oliveira Leite, relata que Helen saiu de Palmital na tarde do dia 2 e que embarcaria no aeroporto Internacional de Guarulhos à meia-noite. Devido a um atraso, o voo de Helen partiu à 0h30. “Eu pedi para que ela me avisasse assim que chegasse lá. Ela me disse ‘mãe assim que chegar, entro em contato com você’. Eu estava em casa vendo na TV o caso de uma mãe que perdeu a filha e fiquei preocupada, senti meu coração apertado. Quando meu marido chegou eu desliguei a TV e resolvi deixar uma mensagem para ela no Facebook. Pouco tempo depois recebemos uma ligação. A pessoa perguntou para o meu marido se ele estava preparado para receber a notícia. Não sei o que a pessoa falou pra ele, mas ele dizia ‘morreu? Morreu como?’”, conta.

A base de calmantes, a mãe revela que a jovem nunca teve problemas de saúde e que estava feliz com o retorno ao Brasil. “Ela conseguiu tirar 10 dias de férias. Passou as festas de final de ano aqui com a gente brincando, feliz”, disse já emocionada.

“Para mim foi como se fosse uma derrota. Ela era a peça mais rara da minha vida. Um tesouro na minha vida”, disse, ainda muito abalado, o pai da jovem Custódio Leite Neto. Segundo ele, o objetivo da família agora é trazer o corpo dela para o Brasil. “Para poder ver ela pela última vez e para que ela tenha um enterro digno”, completou.

Planos para o futuro

Nascida e criada na cidade com pouco mais de 22 mil habitantes, Helen cursou faculdade de Letras na Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná). Ela estudava inglês há oito anos e sonhava em ser professora. A jovem partiu rumo aos EUA em 2012 para um curso de um ano e retornaria em junho deste ano. Entre os planos dela também estava o de se casar com o noivo Thiago Orlandi, em novembro deste ano.

Ainda nos Estados Unidos, Helen registrou uma das conversas pela internet com a família, em agosto de 2012, e publicou em uma rede social. “Porque é isso aqui que importa! Sangue do meu sangue, eles são meu refúgio, minhas força, meu amor, meu protetor, são meu tudo! Perdão pelas brigas e por ter deixado vocês de lado... De agora em diante será diferente, vocês estarão em primeiro lugar! Amo”, diz a legenda da foto.