Oposição na Venezuela pode ser favorecida com câncer de Chávez

Capriles é mais popular do que todos os principais aliados de Chávez

 O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, teve reações iradas em relação às especulações de sua possível morte pela oposição. O fato inédito do presidente ter assumido que o câncer poderá representar um ponto final a seus 14 anos de poder foi uma quebra de paradigma no país. Líderes opositores viram no gesto de Chávez a possibilidade de acabar com a revolução socialista criada pelo líder venezuelano.

Após uma reunião estratégica com colegas nesta segunda-feira (10), Maria Corina Machado, líder da oposição, disse acreditar que é o povo venezuelano quem vai decidir seu futuro político. Após perderem as eleições presidenciais de outubro, os opositores de Chávez investem todas as suas fichas nas eleições estaduais deste domingo, quando veem a possibilidade de manter os sete Estados que controlam no país, de um total de 23.

A viagem de Chávez a Cuba, no entanto, para se submeter a mais uma operação contra o câncer com a precaução de indicar seu sucessor - o vice-presidente e chanceler Nicolás Maduro - no caso de não sobreviver, injetou novo gás à reação de seus opositores. Segundo a Constituição da Venezuela, uma nova eleição deve ser convocada em 30 dias, no caso de Chávez ficar incapacitado. Com isto, estará criado o cenário para uma nova e polarizada disputa no país bastante.

Com o afastamento do presidente, a probabilidade maior seria de uma eleição Nicolás Maduro e Henrique Capriles, que alcançou 45% dos votos na disputa eleitoral de outubro contra Chávez. Pesquisas de opinião do passado indicam que Capriles é mais popular do que todos os principais aliados de Chávez. O ex-motorista de ônibus Maduro, porém, detém grande popularidade entre os venezuelanos, com a vantagem de ter sido indicado pelo presidente.