Em Berlim, Lula aconselha Europa sobre como enfrentar crise

Um brasileiro foi retirado do evento com cartazes ofensivos ao Brasil

“Eu passei a minha vida inteira sendo contra a chamada sociedade de consumo, mas como o país vai crescer se o povo não consumir?”, afirmou em discurso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (07) para cerca de 400 representantes e convidados do congresso do sindicato dos metalúrgicos alemães, o IG Metall. 

Em meio a aplausos e risos descontraídos do público diante de suas brincadeiras, e ex-presidente defendeu o emprego e o crescimento de países pobres como saídas para enfrentar a crise na Europa, e criticou os magnatas do sistema financeiro como “aqueles que repartem apenas prejuízos, e não ganhos”.  

Ao final do discurso, sem querer falar com os jornalistas, o ex - presidente fotografou ao lado de cerca de 80 formandos, de diferentes nacionalidades, integrantes do programa de mestrado desenvolvido para sindicalistas, o Global Labour University (GLU). 

“Lula é uma figura inspiradora”, relatou o nigeriano Edwin Anishe, membro do M.I. (Michael Imoudu) National Institute for Labour Studies. Também o sindicalista alemão Peter Schwertfeger, da IG Metall, não poupou elogios ao ex-presidente: “Acho muito interessante o que Lula fez no Brasil, sobretudo em aspectos sociais”.

O Congresso Internacional Mudando o rumo para uma vida melhor reuniu entre os dias 05 a 07 de dezembro debates sobre a crise e a qualidade de vida dos trabalhadores. O tema do discursado por Lula foi “O caminho para um mundo mais justo”.

A IGMetall é uma das maiores entidades sindicais alemãs. Fundada em 1878, tem hoje mais de 2 milhões de filiados. 

Lado de fora

Após o evento entre os sindicalistas, Lula participou de uma conversa com lideranças do SPD, o Partido Social Democrata Alemão, na Fundação Friedrich Ebert. O tema do encontro foi “No caminho para uma potência mundial: o papel do Brasil na nova ordem mundial”.

Durante o discurso para bolsistas, convidados e membros da Fundação Friedrich Ebert, o brasileiro Marcelo Machado Pereira, de 33 anos, chamou a atenção dos participantes ao fundo da platéia.

Ao abrir o cartaz “O Brasil é o país da corrupção”, “Investir no Brasil é investir na crise”, “O Brasil diz mentiras a respeito da sua realidade econômica”, ele foi rapidamente retirado do evento. O cartaz também foi recolhido, relatou Marcelo.

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