Menina de 7 anos usa maconha medicinal para combater leucemia

Uma menina de 7 anos diagnosticada com leucemia é uma das mais jovens pacientes de maconha medicinal do Estado americano do Oregon. A mãe diz que diariamente dá a criança pílulas de cannabis para combater os efeitos da quimioterapia, mas o pai, que vive em outro Estado, estaria preocupado com os efeitos da droga no seu desenvolvimento cerebral.

Mykayla Comstock foi diagnosticada com leucemia da céclula T, um tipo agressivo da doença, em junho passado. Desde então, ela recebe todos os dias duas pílulas, que contêm ao todo 1g de óleo de cannabis. A mãe dela credita que a maconha fez a leucemia regredir. "Como uma mãe, eu vou fazer de tudo antes que ela vá para o outro lado", diz Erin Purchase, 25 anos, que conta com a ajuda do namorado para administrar a dose diária.

A menina diz que a droga a ajuda a comer e a dormir. "Me ajuda a comer e a dormir. A quimioterapia faz com que você queira ficar acordada a noite toda". Ela também diz que a maconha a faz rir. "Tudo é engraçado para mim".

O caso ganhou notoriedade nas redes sociais e atrais da mídia nacional americana após uma reportagem ser publicada no jornal local Oregonian no final de novembro. Purchase e o namorado contam que receberam muitas críticas, mas também muitas manifestações de apoio após a divulgação da reportagem.

"Eu não estou drogando minha filha. Eu uso isso para a saúde dela. É incrível, e as pessoas deveriam saber disso", diz a mãe da menina. "Eu não acho que não há nada mais para argumentar. Cannabis ajuda. Mesmo que não cure o câncer, ajuda com os sintomas", diz Brandon Krenzler, o padrasto de Mykayla.

Contudo, o pai da criança, Jesse Comstock, que é divorciado da mãe da menina, ficou perturbado quando soube do tratamento e chegou a contatar autoridades e o oncologista dela para protestar contra a prática. Ele diz que se espantou com os efeitos que a maconha tinha sobre a criança quando a visitou em agosto. "Tudo que ela queria fazer era ficar deitada e jogar videogames".

Comstock, que trabalha no Estado da Dakota do norte, disse que após observar o comportamento estranho levou a menina para um laboratório, onde exames detectaram níveis de THC (substância encontrada em plantas de maconha) semelhantes a de adultos que consomem a droga diariamente. No entanto, após a polícia examinar a licença que a menina tem para ser tratada com maconha medicinal, as autoridades disseram ao pai que não poderiam fazer nada para interromper o tratamento.

Comstock, que admitiu já ter sido consumidor de maconha, diz que não se opõe a pessoas acima dos 16 anos usarem maconha medicinal. Contudo, ele afirma que se preocupa com os efeitos do tratamento no bem-estar da menina e que ela pode vir a se viciar. "Ela não é um paciente terminal", diz o pai. "Ela vai superar isso, e com o todo esse baseado, eles vão atrapalhar o crescimento cerebral dela. As opções dela na vida serão limitadas por decisões que a mãe dela tomou".

As leis do Oregon não estabelecem que tratamentos com maconha medicinal sejam acompanhados por pediatras. A legislação local estabelece que fica a cargo dos pais decidir a dose, frequência e a maneira como a droga é consumida.

O tratamento é controverso porque não há um veredicto definitivo entre a classe médica sobre os seus efeitos. Pesquisas apontam que o consumo da maconha ajuda a combater a dor, náuseas e a falta de apetite enfrentada por pacientes de tratamentos tradicionais ao câncer. Há evidências de que também limita o avanço da doença. Contudo, estudos também apontam que o uso tem efeito negativo, especialmente para menores de 18 anos.

Purchase acredita que a maconha é capaz de curar e que a droga é responsável pela cura de um câncer de pele de seu padrasto. Ela própria é paciente de maconha medicinal e seu marido um cultivador. A mãe de Mykayla está tão convicta da segurança da maconha que consumia durante a gravidez e durante a amamentação de seu segundo filho.

Ela reconhece que o primeiro oncologista da filha disse que o tratamento era "inapropriado", mas afirma que Mykayla tem conseguido enfrentar a doença e reconquistar um senso de normalidade. "Ela está como era antes. Uma criança normal", diz a mãe.

Com informações da agência AP e do The Daily Beast