Apesar de trégua, Colômbia seguirá ofensiva contra as Farc

Após a trégua unilateral anunciada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o ministro da Defesa colombiano, Juan Carlos Pinzón, se pronunciou em seu país sobre o cessar-fogo depois do início da segunda fase do diálogo de paz que ocorre em Cuba. Pinzón afirmou que o exército da Colômbia seguirá a ofensiva contra a guerrilha, apesar do anúncio da suspensão temporária de hostilidades. As informações são do jornalEl Tiempo.

Nesta segunda, o coordenador de negociação das Farc, Luciano Marín Arango, conhecido como "Ivan Marquez", decretou um cessar-fogo que se estenderá da meia-noite de hoje até o dia 20 de janeiro. A liderança da guerrilha disse que se trata de "mais uma amostra da vontade de gerar um ambiente político propício para o avanço das negociações".

No entanto, ao iniciar mais uma rodada de diálogos no Palácio de Convenções de Havana, o governo de Juan Manuel Santos observou a medida com descrédito. "Esta organização (Farc) nunca cumpre as tréguas que propõe", afirmou o ministro da Defesa. "A força pública tem o dever constitucional de perseguir todos os delinquentes. Não se persegue a guerrilha pelos crimes futuros, e sim, pelos que cometeram", acrescentou.

A postura rigorosa do governo se reflete no nome escolhido para liderar a equipe de negociação: o ex-vice-presidente Humberto de la Calle. Ele atuou na gestão do ex-mandatário Álvaro Uribe, que ajudou a alçar Juan Manuel Santos ao atual cargo e aplicou uma política linha dura contra a guerrilha ao longo de seu governo. Uribe é considerado o maior opositor das Farc.

Entenda a negociação

A reunião ocorre a portas fechadas no Palácio de Convenções de Havana e tem como primeiro tema de debates a questão agrária no país sul-americano. O diálogo ocorre em torno de uma mesa retangular com os cinco delegados do governo de um lado e cinco da guerrilha de outro, sentados frente a frente. Centralizados, estão os líderes Humberto de la Calle e Luciano Marín Arango. Nos cantos da sala, os organizadores da negociação, Cuba e Noruega, e os observadores, Venezuela e Chile, acompanham as tratativas.

A previsão é que as reuniões durem pelo menos dez dias - no período da manhã, das 9h às 13h (hora local) e à tarde, quando cada equipe se reúne separadamente. Mais de 120 jornalistas de 42 veículos de imprensa de 16 países estão na entrada do palácio de convenções para cobrir o tema.