Parlamentares do Timor-Leste usam várias línguas para debater em Díli

O Timor-Leste está contando com a ajuda prática do multilinguismo na hora de realizar suas discussões informais no Parlamento do país.

A informação foi dada à Rádio ONU pelo primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão. Segundo ele, apesar de uma lei que prevê que as discussões sejam feitas em língua portuguesa, o debate entre os parlamentares ocorre em "todas as línguas que conhecem".

Expressões

Xanana Gusmão falou à Rádio ONU durante uma viagem ao Haiti, para participar da reunião do Grupo 7+, composto dos países menos desenvolvidos do mundo.

"Quando chegamos lá falamos e discutimos os problemas, e usamos todas as línguas que nós sabemos. Usamos expressões de bahasa, usamos o tétum, metemos inglês. Vai levar tempo… Não vamos falar em termos de pequenas parcelas que podem já. Na Universidade Nacional, temos professores brasileiros e portugueses."

População

De acordo com o primeiro-ministro do Timor-Leste, um dos desafios para a disseminação do português, no país lusófono do sudeste da Ásia, é a parte da população que não aprendeu o idioma durante os anos da ocupação indonésia, que terminou no fim da década de 90.

Segundo Gusmão, o país ainda tem um caminho a perseguir no aprendizado do idioma que é uma das línguas oficiais do Timor.

"Adultos, claro, sabem o "bom dia", o "boa tarde", o "obrigado", mas qualquer projeto que contempla toda a população deve ser a médio e longo prazos."

Numa outra entrevista, esta semana, o embaixador de Portugal nas Nações Unidas, José Filipe Moraes Cabral, afirmou que seu país continuará apoiando o Timor no ensino da língua portuguesa e em outras cooperações consolidadas durante a missão de paz da ONU, Unmit.

A Missão será encerrada neste 31 de dezembro após 10 anos da restauração da independência timorense.