Atrás de respaldo, Franco sugere que Dilma consulte brasiguaios 

Assunção - O presidente paraguaio, Federico Franco, pediu nesta terça-feira que a presidente Dilma Rousseff consulte seus compatriotas que vivem no país vizinho sobre o novo governo, empossado após o impeachment de Fernando Lugo na última sexta-feira. "Aqui tem 500 mil brasileiros, e quando as terras dos brasiguaios eram invadidas, a embaixada respondia que esse é um pais autônomo, que eles não poderiam fazer nada", disse o presidente, logo depois de um encontro com brasiguaios na sede do governo, em Assunção. No domingo, representantes dos brasiguaios encaminharam à Dilma um pedido para que o Brasil reconheça o governo Franco e trate o Paraguai como país amigo.

O novo presidente afirmou que o objetivo imediato é arrumar a casa e não priorizar a melhoria da imagem de seu país junto à comunidade internacional. "Se eu dissesse que a prioridade é a comunidade internacional, eu estaria mentido. Quero arrumar a casa e transmitir daqui para a comunidade internacional a tranquilidade. Prometo que vou me esforçar para demonstrar à comunidade internacional e à região que esse é um governo absolutamente democrático", afirmou.

Franco ainda lembrou o ex-presidente brasileiro Fernando Collor, "que também sofreu impeachment", ao falar sobre o processo que destituiu Fernando Lugo da presidência. Quando ouviu de um jornalista que o processo brasileiro levou meses e não dias, disse apenas que quando isso aconteceu "Itamar assumiu, porque é o que dizia a Constituição".

O presidente paraguaio destacou que ele era a única pessoa que poderia assumir a presidência do país, e afirmou que, se não o fizesse, poderia ser responsável por uma guerra civil. "Sou o responsável por garantir que aqui não vai ter guerra civil".

Perguntado sobre a mobilização de Lugo, que busca força junto a movimentos sociais, além de ter montado um gabinete paralelo, Franco afirmou que vai aceitar as manifestações, desde que ocorram dentro da legalidade. "O que não podem ocorrer são os excessos. Dentro da lei, tudo; fora da lei, nada (...). Fernando Lugo ainda está ferido, creio que por ser um homem da igreja, de reflexão, vai chegar a um momento de iluminação e vai avaliar o custo-benefício no momento de tomar suas decisões. Espero que faça isso", disse.

Processo relâmpago destitui Lugo da presidência

No dia 15 de junho, um confronto entre policiais e sem-terra em uma área rural de Curaguaty, ligada a opositores, terminou com 17 mortes. O episódio desencadeou uma crise no Paraguai, na qual o presidente Fernando Lugo, acusado pelo ocorrido, foi sendo isolado no xadrez político. Seis dias depois, a Câmara dos Deputados aprovou de modo quase unânime (73 votos a 1) o pedido de impeachment do presidente. No dia 22, pouco mais de 24 horas depois, o Senado julgou o processo e, por 39 votos a 4, destituiu o presidente.

A rapidez do processo, a falta de concretude das acusações e a quase inexistente chance de defesa do acusado provocaram uma onda de críticas entre as lideranças latino-americanas. Lugo, por sua vez, não esboçou resistência e se despediu do poder com um discurso emotivo. Em poucos instantes, Federico Franco, seu vice, foi ovacionado e empossado. Ele discursou a um Congresso lotado, pedindo união ao povo paraguaio - enquanto nas ruas manifestantes entravam em confronto com a polícia -, e compreensão aos vizinhos latinos, que questionam a legitimidade do ocorrido em Assunção.