Réu de ataques de 11/9 quebra o silêncio: "eles irão nos matar" 

Os réus dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, que derrubaram as Torres Gêmeas, em Nova York, finalmente quebraram o silêncio no dia do julgamento em Guantánamo, em Cuba. "Você pode não nos ver mais. Eles irão nos matar", gritou o acusado Ramzi Binalshibh.

Binalshibh participa ao lado de mais quatro pessoas do julgamento: Waleed bin Attash, Ali Abd al-Aziz Ali, Mustafa Ahmad al-Hawsawi e Khaled Cheij Mohamed, que seria o chefe da operação que culminou com a onda de medo e desespero que assolou os Estados Unidos na primeira década do século XXI.

Esta é segunda vez que os réus vão a um tribunal militar de exceção - criado há 11 anos pelo ex-presidente George W. Bush -, depois que o procedimento foi interrompido com a eleição de Barack Obama, que queria enviá-los frente à Justiça ordinária. Se considerados culpados, eles podem enfrentar a pena de morte.

"Eu conversei com algumas pessoas que acreditam que o circo deve começar logo no início do julgamento", declarou à rede CNN Donal Guter, que serviu como advogado do alto escalão da Marinha americana.

Durante o restante do tempo, os acusados se mantêm calados. O juiz decidiu ler os direitos à defesa proporcionados pelo governo americano, mas os acusados se mantiveram ausentes, lendo ou rezando com o Corão na mão. O advogado civil de Sheikh Mohammed, David Nevin, assegurou que a escolha de não falar é uma forma de protestar pelo tratamento em Guantánamo.

O presidente americano, Barack Obama, queria que o julgamento ocorresse em Manhattan, muito perto de onde estavam as Torres Gêmeas. Ele foi, no entanto, impedido pela oposição republicana no Congresso, que bloqueou a transferência a território americano de acusados de terrorismo.