Vice-presidente do Afeganistão era alvo em ofensiva do Talibã 

Um porta-voz do serviço de inteligência afegão afirmou que o vice-presidente do país, Karim Khalili, sofreu neste domingo uma tentativa de assassinato na capital do país, Cabul. O atentado ocorreu em meio a uma ofensiva do Talibã a quatro cidades do Afeganistão, incluindo a capital, que envolveu ataques múltiplos direcionados a embaixadas de países ocidentais, QGs das forças da Otan e o edifício do Parlamento.

Ainda segundo o porta-voz, os insurgentes foram detidos antes de conseguir realizar a ação. A série de ataques teria deixado ao menos 19 rebeldes mortos e 23 feridos, entre civis e policiais.

Os atentados são dos mais graves desde que as forças afegãs apoiadas pelos Estados Unidos removeram o Talibã do poder, em 2001. Nessa ação, os militantes do grupo mostraram que têm capacidade de agir contra a zona diplomática - área fortemente protegida -, mesmo depois de 10 anos de guerra.

A investida foi também mais um revés no Afeganistão em um ano eleitoral para o presidente norte-americano, Barack Obama, que quer apresentar a longa campanha contra o Talibã como um sucesso, antes que a maior parte das tropas de combate estrangeiras deixem o país, até o fim de 2014.

"Esses ataques são o começo da ofensiva de primavera que tem sido planejado durante meses", declarou à Reuters o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid. Ele afirmou que a violenta investida foi uma vingança por uma série de incidentes envolvendo soldados norte-americanos no Afeganistão, incluindo a queima de exemplares do Alcorão numa base da Otan e o massacre de 17 civis por um soldado dos EUA - e prometeu que haverá mais ataques desse tipo.

Os ataques

Mais de cinco horas depois do primeiro assalto do Talibã, novamente irromperam confrontos pesados enquanto começava o crepúsculo na capital e as mesquitas convocavam os fiéis para as orações.

O Talibã anunciou que os principais alvos eram as embaixadas britânica e alemã e os QGs das forças lideradas pela Otan. Vários afegãos membros das forças de segurança conjuntas no Parlamento se posicionaram em um telhado próximo ao edifício do legislativo para repelir a investida dos rebeldes.

Grandes explosões abalaram o setor diplomático de Cabul. Colunas de fumaça preta emergiam de embaixadas enquanto eram disparadas granadas propelidas por foguetes. Era possível ouvir o barulho de tiroteio pesado vindo de várias partes da capital quando as forças de segurança afegãs tentavam afastar os combatentes do Talibã.

Os militantes do Talibã, incluindo alguns vestidos com burcas - o traje que cobre as mulheres da cabeça aos pés -, lançaram ofensivas simultâneas em três outras províncias do país. Na cidade de Jalalabad, no leste afegão, eles atacaram uma base estrangeira perto de uma escola e houve uma explosão perto do aeroporto.

Segundo o Ministério do Interior, 19 insurgentes, incluindo atacantes suicidas, morreram nos confrontos pelo país e dois foram capturados. Catorze policiais e nove civis ficaram feridos.

Táticas familiares

A investida do Talibã em Cabul ocorreu um mês antes de uma cúpula da Otan, na qual os EUA e outros aliados pretendem estabelecer os últimos detalhes de planos para a transição do controle de segurança no Afeganistão. Além disso, dentro de alguns dias haverá um encontro de ministros da Defesa e das Relações Exteriores em Bruxelas, como preparação para uma reunião de cúpula em Chicago.

Os ataques parecem ter repetido as táticas adotadas em setembro, quando os insurgentes entraram em canteiros de obras para usá-los como base para ataques com granadas e foguetes.

Testemunhas disseram que os militantes entraram em uma obra de um edifício de vários andares que dá para o triângulo diplomático. Desse ponto eles desfecharam o ataque, protegidos pela tela de segurança que envolve o esqueleto do prédio em construção.

A investida do Talibã teve início horas depois de dezenas de militantes islâmicos invadirem uma prisão no vizinho Paquistão no meio da noite e libertado aproximadamente 400 presos, incluindo um que estava no corredor da morte por tentar assassinar o ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf.

O movimento Talibã paquistanês, que tem vínculos estreitos com a rede al Qaeda e também com o Talibã afegão, assumiu a autoria desse ataque.