Cuba e Malvinas não comporão declaração da Cúpula, diz Mujica

Dois dos maiores temas da geopolítica latino americana, Cuba e Malvinas não comporão a declaração final da VI Cúpula das Américas, que se encerra neste domingo, em Cartagena, na Colômbia. A informação foi adiantada pelo presidente uruguaio, José Mujica, à agência EFE. "Os dois temas políticos da Cúpula são, em realidade, aquilo que não se declara, não aparece na declaração", disse.

As Malvinas voltaram à plena pauta regional neste ano com os 30º aniversário da Guerra de 1982, entre argentinos e ingleses. Embora, na prática, pouco tenha ocorrido, o que se viu foi um acirramento das provocações diplomáticas entre Londres, que se recusa a discutir a posse da ilha, e Buenos Aires, que a elevou a bandeira latino-americana contra o neocolonialismo britânico.

Cuba, por sua vez, rondou as prévias da reunião em Cartagena. A não-participação de Havana e sua exclusão por Washington em críticas às condições sociais e políticas da ilha comunista agitaram os debates entre os líderes latinos. Cuba atualmente vive um momento de reformas econômicas e políticas, regidas por Raul Castro, irmão de Fidel. Sobre os EUA, a pressão é pelo fim do embargo à ilha, vigente desde 1962, auge da Guerra Fria.

Na ausência da dupla Cuba-Malvinas, disse Mujica, a tendência é que a Cúpula celebre "coincidências em pontos bastante óbvios", como desigualdade, pobreza e desenvolvimento.