Primeiro-ministro líbio anuncia trégua para acabar com confrontos em Sabha 

O governo interino da Líbia anunciou neste sábado um cessar-fogo que pretende por fim a seis dias de confrontos mortais entre tribos de um oásis no sul do país, que já deixaram mais de 150 mortos.

"Anunciamos que os esforços de reconciliação levaram a um acordo de cessar-fogo," disse o primeiro-ministro, Abdel Rahim al-Kib, aos repórteres na capital, acrescentando que "agora a calma prevalece em Sabha", 750 quilômetros ao sul.

Pelo menos 16 pessoas morreram neste sábado apenas nesta cidade, antes da trégua ser anunciada.

O conflito entre os tubus e tribos árabes começou na segunda-feira, depois que integrantes destas tribos acusaram os tubus de matarem um de seus membros.

Kib realizou uma coletiva de imprensa conjunta com Yussef al-Mangush, chefe do novo exército nacional da Líbia, que ainda está sendo formado, e com a ministra da saúde Fatma al-Hamrush.

"Agora a situação está calma e forças do ministério da Defesa estão garantindo a segurança de áreas estratégicas, principalmente o aeroporto", disse Mangush.

Hamrush falou em, pelo menos, 147 mortos, de ambos os lados, e 395 feridos na sexta-feira à noite, incluindo os 129 que foram levados para a capital para tratamento. Este número não inclui os 16 mortos deste sábado.

De acordo com um médico do hospital de Sebha, que atende as vítimas das tribos árabes, oito pessoas morreram e 50 ficaram feridas. Enquanto isso, um responsável da tribo dos tubus disse que oito de seus membros também faleceram.

"Não conseguimos dormir desde a noite de ontem. Os tubus atacaram Sebha a partir das 03H00. Quase tomaram a cidade. Todos os habitantes pegaram em armas para se defender", indicou à AFP o médico Abdelrahman Al-Arich, informando sobre oito mortos e 50 feridos entre as tribos árabes da cidade, de acordo com um balanço estabelecido ao meio-dia.

Segundo fontes locais, combatentes tubus que nos últimos dias foram afastados vários quilômetros em direção ao sul de Sebha realizaram uma contraofensiva na manhã deste sábado, tentando entrar na cidade.

Os tubus acusam as autoridades de apoiar outras tribos árabes, que, por sua vez, denunciam a "inação" e a "passividade" do governo diante de uma "invasão estrangeira", na ausência de um exército nacional organizado para restaurar a ordem.

Os tubus são acusados pelas outras tribos de terem em suas fileiras combatentes estrangeiros procedentes, sobretudo, do limítrofe Chade, o que eles negam.

"As tribos árabes detêm imigrantes africanos na cidade e os apresentam à imprensa como combatentes tubus estrangeiros", argumentou Tebbawi.

"Respeitamos uma trégua e queremos a reconciliação, mas as outras tribos, sobretudo Awled Suleiman, não param de nos atacar há oito dias. Estamos privados de água e de eletricidade", disse ele.

Na sexta-feira, o chefe dos tubus, Abdel Majid Mansur, acusou tribos árabes em Sebha de bombardear uma estação de energia que fornece eletricidade a muitas partes do sul da Líbia, incluindo Qatrun e Morzuk, áreas de forte presença tubu. Ele também pediu uma intervenção internacional para deter o que chamou de "limpeza étnica" dos tubus.

Os tubus são agricultores negros da região de oásis que tradicionalmente têm ligações que ultrapassam a fronteira líbia. Eles vivem no sul do país, no norte do Chade e no Níger, mas negam ter pretensões separatistas.