Começa campanha pela presidência do México com PRI como favorito

O México inicia nesta sexta-feira a campanha para as eleições presidenciais de julho com o opositor Partido Revolucionário Institucional (PRI) como favorito para recuperar o poder perdido em 2000, e marcada pela violência atribuída principalmente ao narcotráfico, que já deixou 50 mil mortos em cinco anos.

As campanhas do PRI e do governante partido Ação Nacional (PAN) começarão depois da meia-noite de quinta para sexta-feira.

O candidato do PRI, Enrique Peña Nieto, um advogado de 45 anos, lançará sua campanha em Guadalajara (oeste), segunda maior cidade do país e que tradicionalmente foi um reduto do PAN, ligando uma iluminação que acenderá simultaneamente as praças públicas nas principais capitais estatais.

"É uma forma de marcar o início de uma nova era para o país", disse Luis Videgaray, coordenador geral da campanha do PRI.

Peña Nieto aparece liderando com ampla vantagem todas as pesquisas, à frente da ex-ministra Josefina Vázquez Mota, de 49 anos, candidata do PAN que enfrenta o desgaste de dois governos consecutivos de seu partido e, sobretudo, o gerado pela violência, que se vincula à estratégia oficial de lançar os militares contra os cartéis da droga.

Uma última pesquisa divulgada na quarta-feira pelo jornal Reforma mostrava Peña Nieto com 45% dos votos, seguido de Vázquez Mota (32%), enquanto em terceiro lugar encontra-se o candidato de esquerda Andrés Manuel López Obrador (22%).

López Obrador, de 59 anos, se apresenta pela segunda vez consecutiva após perder por estreita margem em 2006. Um quarto candidato, Gabriel Quadri, do Partido Aliança Nacional, aparece com menos de 1%.

Mas nada está decidido, e a três meses das eleições que serão realizadas no dia 1º de julho, a pesquisa indica também que 27% dos eleitores ainda não sabem em quem votar. Números similares aparecem na maioria das pesquisas.

Vázquez Mota lançará sua campanha na Cidade do México e depois irá a Puebla (centro). Já López Obrador dará os primeiros passos com uma coletiva de imprensa na manhã de sexta-feira na capital e depois irá a sua cidade natal, Macuscapa, no estado de Tabasco (sudeste).

O governo anunciou milionários recursos para a segurança dos candidatos. O secretário de Governo (Interior), Alejandro Poiré, disse na terça-feira que foram revisadas cuidadosamente as denúncias de ameaças, depois que a esquerda denunciou que em várias regiões do país alguns militantes receberam advertências, ao que parece de grupos do narcotráfico.

A violência que transbordou no governo do presidente Felipe Calderón constitui a principal preocupação para os mexicanos, segundo duas recentes pesquisas.

"Sem dúvida alguma o narcotráfico vai estar na campanha, mas mais como tema de debate e de avaliação da gestão presidencial, do que realmente pela possibilidade de que os cartéis possam influenciar na decisão dos eleitores", afirmou à AFP Francisco Abundis, analista político e diretor da empresa de pesquisas Parametría.