Papa chega à Praça da Revolução para oficializar sua segunda missa em Cuba

O papa Bento XVI chegou nesta quarta-feira à Praça da Revolução de Havana, local de manifestações do regime comunista cubano, para celebrar a segunda missa pública de sua visita de 48 horas a Cuba.

O pontífice foi recebido por milhares de fiéis, assim como de ateus, comunistas e adeptos da santeria, rito afro-cubano que mistura espiritualismo africano com o catolicismo.

Bento XVI chegou à praça no "papamóvel" branco, com as janelas abertas, cercado por vários agentes de segurança.

Em 1998, nesse mesmo lugar, na presença de Fidel Castro, João Paulo II, o primeiro papa a visitar a ilha, celebrou uma histórica missa em que pediu que "Cuba se abra para o mundo para que o mundo se abra para Cuba".

Católicos cubanos partiram da Catedral de Havana ao amanhecer desta quarta-feira em uma procissão com a imagem da Virgem da Caridade do Cobre até a Praça da Revolução.

A imagem iluminada da Virgem, conhecida como "Mambisa", foi saudada com aplausos pelas ruas de Havana, numa procissão que deve percorrer seis quilômetros, a mais longa em décadas em Cuba.

As procissões religiosas estavam proibidas em Cuba desde os anos 60 pelo então governo ateu de Fidel Castro até que foram restituídas pelo líder da Revolução durante a visita do papa João Paulo II em 1998. O Estado cubano deixou o ateísmo em 1991 e passou a ser simplesmente laico.

"Vim adorar a Virgem da Caridade pela congregação que estamos fazendo pela visita do papa", afirmou à AFP Ever Marín, de 13 anos, que participa pela primeira vez de uma procissão.

Bento XVI, que terminará nesta quarta uma visita pastoral de três dias à ilha, oficiou uma missa campal na segunda-feira, em Santiago de Cuba (sudeste), ante 200.000 pessoas, e espera-se que na missa desta quarta, em Havana, essa cifra seja superada.