Novo presidente alemão é eleito e Merkel se prepara para eleições de 2013 

Na Alemanha, o ex-pastor Joachim Gauk foi eleito neste domingo (18) presidente do país no primeiro turno da eleição da Assembleia Federal. Gauk venceu sua única concorrente, a “caçadora de nazistas” Beate Klarsfeld. Aos 72 anos, ele obteve 991 dos 1.232 votos totais da Assembleia Federal, encarregada de eleger o chefe de governo do país. Gauck é o 11º presidente alemão no período pós-guerra. A eleição presidencial foi antecipada por conta da renúncia de Christian Wulff após apenas 20 meses no cargo, que responde a denúncias de corrupção. No país, o cargo presidencial tem caráter meramente representativo.

"Eu aceito este voto", declarou solenemente Gauck diante da Assembleia Federal, depois do anúncio dos resultados. "Que belo domingo!", comemorou, lembrando que há 22 anos foram realizadas as primeiras e últimas eleições livres da República Democrática Alemã (RDA), alguns meses antes da reunificação do país, em 3 de outubro de 1990. "Jamais esquecerei estas eleições. Jamais!", disse, visivelmente emocionado. "Vocês elegeram um presidente que não pode pensar sem a ideia de liberdade", acrescentou.

A Assembleia Federal reúne os 620 deputados do Bundestag, parlamento alemão, assim como os representantes dos estados regionais. Gauck, que se comprometeu com a luta pelos direitos humanos no fim da ditadura comunista da Alemanha Oriental, foi eleito no primeiro turno da votação. Sua designação era considerada certa, uma vez que todos os partidos da situação e da oposição, à exceção da esquerda radical Die Linke, haviam chegado a um acordo para apoiar sua candidatura. O Linke, que reúne principalmente nostálgicos da RDA, preferia Beate Klarsfeld, que ficou conhecida por sua caça aos nazistas.

Merkel

Com a decisão, a primeira-ministra Angela Merkel pode se concentrar nas eleições estaduais, e as medidas para combater a crise da Zona do Euro se tornam cruciais na definição sobre suas chances de obter um terceiro mandato. Com o apoio do partido Democratas Livres a Gauck, Merkel evitará um conflito entre a coalizão política do governo. Além disso, o resultado da votação a auxilia a manter seus níveis recordes de aprovação popular. Seus desafios imediatos são as três eleições estaduais e uma decisão iminente sobre a possibilidade de apoiar uma expansão da proteção financeira contra a crise do euro.

Após expressar restrições sobre o apoio da oposição a Gauck, Merkel mudou de lado no último mês quando os Democratas Livres, coalização aliada, decidiram apoiar o candidato. Ao voltar atrás e “mudar de lado”, a primeira-ministra abafou uma distração interna enquanto os líderes da União Europeia debatem um segundo resgate financeiro à Grécia.

Uma pesquisa da empresa Emnid, no começo deste mês, mostrou que o apoio nacional para o bloco político de Merkel é de 36%, melhor nível desde 2008. O principal ator político de oposição, o Partido Social Democrata, tinha 28% das intenções de voto e os Verdes, 14%.

Eleições em 2013

O próximo destino da primeira-ministra é Saarland, onde acontecem eleições estaduais em 25 de março, sendo a primeira das três votações estaduais da Alemanha no ano. No dia 6 de maio, as províncias Schleswig-Holstein e Rhine-Westphalia, região que concentra quase um quarto da população do país, realizam seus pleitos. Estas votações servem de termômetro sobre o destino dos respectivos partidos para as eleições federais, que ocorrem em 2013.

O posicionamento de Merkel foi redirecionado desde o ano passado, quando a sua coalizão nacional foi derrotada e perdeu votos em sete eleições estaduais por conta do envolvimento da Alemanha com a crise financeira na Grécia, o que tornou o país o maior contribuidor dos regastes econômicos.

Pesquisas mostram que a União Democrática Cristã (CDU, em inglês) e os Sociais Democratas empatam em Saarland, sugerindo que estes partidos governarão a área, que faz fronteira com França e Luxemburgo. Assim, eles concretizariam uma “grande coalizão”, como afirmou Merkel em seu primeiro termo de compromisso do governo. 

Com AFP e Bloomberg