Putin nega relação especial com a Síria e ser antiamericano  

O primeiro-ministro Vladimir Putin afirmou que a Rússia não tem "nenhuma relação especial com a Síria", mas possui uma "posição de princípio" sobre a resolução de conflitos como este, em uma entrevista concedida aos meios de comunicação estrangeiros. Ele também negou ser antiamericano.

"Não temos relação especial com a Síria. Temos uma posição de princípio sobre a forma de resolver conflitos como esse e não nos pronunciamos por uma ou outra parte", disse Putin nesta entrevista aos jornalistas estrangeiros, segundo o texto da entrevista, publicado no site do governo russo.

Diante deste tipo de conflitos, "o princípio consiste em não fomentar um conflito armado e obrigar as partes a se sentar à mesa de negociações e combinar as condições de um cessar-fogo", acrescentou Putin.

Aliada da Síria, a Rússia vetou junto à China duas resoluções no Conselho de Segurança da ONU de condenação da repressão realizada pelo regime de Bashar al-Assad.

Antiamericano

No encontro com os jornalistas estrangeiros, Putin também negou qualquer forma de antiamericanismo e elogiou o presidente Barack Obama. "Estou certo de que o senhor Obama é um homem muito sincero (...) além disso, muitas das coisas que formulou coincidem totalmente com minha representação da situação no mundo", explicou Putin.

Relembrando seu encontro em 2009, com a visita de Obama a Moscou, Putin disse que seu "enfoque filosófico" das relações internacionais era muito próximo.

Ele rejeitou as acusações de antiamericanismo que fizeram contra ele, depois que, desde dezembro e o início das manifestações contra seu regime, acusou Washington de financiar a oposição para desestabilizar a Rússia e denunciou o domínio americano no cenário internacional.

"Onde está, em nosso discurso, a retórica (antiamericana)? Se ouvimos a retórica de nossos colegas americanos sobre nossa campanha eleitoral, não a consideramos como antirussa. Onde viu antiamericanismo em nossa campanha?", lançou aos jornalistas.

Putin também considerou que a retomada das relações russo-americanas desde 2008 funcionou bem, embora o assunto do escudo antimíssil americano - um tema que abordou em várias ocasiões durante sua campanha, ao prometer uma repsosta "adequada" de Moscou - não tenha sido solucionado.

Na quinta-feira, um documentário transmitido pela rede de televisão NTV, controlada pelo gigante russo Gazprom, acusou os opositores e defensores de direitos humanos de serem financiados pelos Estados Unidos e de obedecerem às ordens da CIA.