Jornalistas feridos na Síria são hospitalizados no Líbano 

Os jornalistas franceses Edith Bouvier e William Daniels, que puderam sair da Síria depois de permanecerem vários dias bloqueados na cidade de Homs, se encontravam nesta sexta-feira "em observação" em um hospital de Beirute, indicou à AFP uma fonte diplomática.

Edith Bouvier, gravemente ferida em uma perna, e Williams Daniels "encontram-se no hospital francês de Beirute", informou esta fonte diplomática, que pediu o anonimato. "O estado de Edith Bouvier é estável", acrescentou a mesma fonte.

Edith Bouvier, que trabalhava para o jornal Le Figaro, foi gravemente ferida no dia 22 de fevereiro no bombardeio que custou a vida da repórter americana Marie Colvin e do fotógrafo francês Remi Ochlik.

Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores, sem surtir grandes efeitos. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, as forças de Assad iniciaram uma investida contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. Uma ONG ligada à oposição estima que pelo menos 7,6 mil pessoas já tenham morrido, número similar ao calculado pela ONU.