Síria: exército toma reduto símbolo de resistência rebelde

O exército sírio assumiu o controle de todo o bairro rebelde de Baba Amro, em Homs, sitiado depois de 26 dias de artilharia e bombardeios, informou à AFPuma fonte dos serviços de segurança em Damasco.

"O exército sírio controla a totalidade de Baba Amr, caíram todos os últimos focos de resistência", afirmou esta fonte.

"Os soldados revisaram cada rua, túnel e casa, buscando armas e homens armados. Ainda resta um pouco de trabalho a fazer, mas posso garantir que Homs voltou a ser território seguro", assinalou uma fonte de segurança síria, que pediu o anonimato, à agência EFE.

O chefe de Exército Sírio Livre (ESL), o coronel Riad Assaad, confirmou a informação à AFP nesta quinta-feira, mas disse se tratar de uma retirada tática de seus combatentes do bairro rebelde, depois de dois dias de combates para tentar conter uma ofensiva terrestre das forças do regime. "O ESL se retira taticamente de Baba Amro para poupar a vida dos civis", declarou.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente

Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes,manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores, sem surtir grandes efeitos. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, as forças de Assad iniciaram uma investida contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. Uma ONG ligada à oposição estima que pelo menos 7,6 mil pessoas já tenham morrido, número similar ao calculado pela ONU.