Familiares de vítimas de Pinochet lamentam condenação de Garzón 

Os familiares chilenos de vítimas da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), que foi preso por ordem do juiz Baltasar Garzón em 1998, lamentaram a condenação a 11 anos de inabilitação ao magistrado espanhol por um caso de escutas ilegais, e a consideraram um retrocesso na luta pelos direitos humanos.

"A condenação é terrivelmente prejudicial às organizações de defesa dos direitos humanos. Significa um retrocesso quanto à investigação de crimes e violações dos direitos humanos na Espanha e também em outros países como o nosso", afirmou à AFP Alicia Lira, presidente da Associação de Familiares de Executados Políticos.

Segundo Lira, "Garzón demonstrou seu compromisso com a busca pela verdade e a justiça não apenas na Espanha, como também no Chile", e lembrou que "graças a seu trabalho, conseguimos que Pinochet fosse detido e privado de liberdade durante 500 dias".

Como juiz da Audiência Nacional, Baltasar Garzón conseguiu em 1998 a prisão em Londres do general reformado, então com 82 anos, que tinha sido operado de uma hérnia inguinal.

Garzón havia solicitado uma autorização via Interpol para interrogar Pinochet, a quem acusava dos crimes de genocídio, terrorismo e torturas, com base em denúncias de familiares de espanhóis desaparecidos no Chile. Mas após 500 dias de prisão domiciliar, Pinochet foi libertado por razões de saúde, e retornou a Santiago do Chile.

O advogado chileno simpatizante de Pinochet, Hermógenes Pérez de Arce, afirmou que a sentença contra o juiz espanhol "é uma decisão ajustada ao direito", mas criticou que "essas leis" não foram aplicadas quando o ditador chileno foi detido em Londres.

"Sancionaram (o juiz) por prevaricação, mas no caso do Chile e do ex-general Pinochet não aplicaram essas leis (...). Não havia nenhuma razão para que Baltasar Garzón interviesse, não tinha as atribuições", afirmou Pérez de Arce ao jornal La Tercera.