Presidente do Irã promete resistir às pressões internacionais

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, assegurou que seu povo resistirá às pressões internacionais por causa de seu programa nuclear, ao encerrar no Equador sua visita pela América Latina.

"Eles (os ocidentais) decidiram nos pressionar mais. Insultam nosso país e nosso povo. Está claro que o povo iraniano resistirá", afirmou Ahmadinejad ao responder a uma pergunta durante a coletiva de imprensa.

"A comunidade internacional sabe que as potências hegemônica não suportam o progresso e o avanço dos povos independentes. O problema do Irã não é o programa nuclear, o problema do Irã é o progresso e a independência", ressaltou.

Ahmadinejad fez estas declarações depois de reunir-se em Quito com o presidente Rafael Correa, que afirmou acreditar que o Irã não busca fabricar armas nucleares e pediu que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) modifique seus métodos de avaliação.

A visita ao Equador é a última etapa de uma viagem realizada por Ahmadinejad, que também foi à Venezuela, Nicarágua e Cuba, países que defendem o direito do Irã de desenvolver a energia nuclear com fins civis.

A viagem foi marcada pela crescente tensão gerada nos Estados Unidos e seus aliados o desenvolvimento do programa nuclear do Irã, depois que a AIEA anunciou esta semana que o Irã começou a produzir urânio enriquecido a 20%.

Na quarta-feira, um cientista nuclear iraniano foi assassinado em Teerã em um atentado bomba. Teerã acusou os Estados Unidos e Israel pelo ataque.

Rafael Correa aproveitou a ocasião para ironizar as declarações da congressista americana Ileana Ros-Lehtinen (republicana), que disse que o Equador tem o urânio de que o Irã precisa para seu programa nuclear.

"É a primeira vez em minha vida que me inteiro de que o Equador tem urânio", declarou. "Por isso lamento que tenha vindo buscar isso, presidente. Não vamos poder lhe dar um grama sequer", ironizou dirigindo-se ao colega iraniano.

No encontro no palácio presidencial, o presidente iraniano classificou Correa de "irmão e amigo" e disse levar uma "mensagem de amor, carinho, amizade e solidariedade de uma grande nação chamada Irã a outra nação, a outro povo também grande, como o Equador".

"Agradeço a Deus todo-poderoso que me deu outra vez a oportunidade de estar entre amigos muito solidários e em um país muito amistoso e me encontrar com o meu irmão e amigo solidário, o presidente Rafael Correa", disse.

"A bênção de Deus esteja com o presidente revolucionário e o povo equatoriano, estaremos juntos para sempre", insistiu Ahmadinejad.

Correa assegurou, por sua vez, que o Irã poderá "contar com este país irmão para todos os esforços pela paz, com o desenvolvimento, com a união de toda a humanidade, sem patrões, sem donos do mundo, uma sociedade humana buscando o progresso, a justiça, pela paz, pela soberania, pela união dos povos sempre, bem-vindo ao Equador".

Chegando ao palácio presidencial de Carondolet, Correa e Ahmadinejad trocaram um abraço. Dezenas de pessoas reunidas nos arredores do edifício o saudaram.