Sobe para 35 o número de mortos em atentado no Paquistão

Trinta e cinco pessoas morreram e pelo menos 69 ficaram feridas nesta terça-feira em um atentado não reivindicado em um mercado de Jamrud, cidade do noroeste do Paquistão, reduto dos rebeldes talibãs.

Jamrud é uma das principais cidades do distrito tribal de Khyber, na fronteira com o Afeganistão.

Em um primeiro momento, as autoridades locais anunciaram um balanço de 13 mortos, que poucos minutos depois chegou a 23, antes de subir para 26 vítimas fatais e chegar a 35.

O balanço de 35 mortos e 69 feridos foi anunciado por Shakeel Khan, alto funcionário da administração local.

Investigações preliminares destacam que a explosão foi provocada por uma bomba enterrada e não por um atentado suicida.

"Segundo as primeiras informações, trata-se de uma bomba escondida num micro-ônibus", declarou o chefe da administração local, Mutahir Zeb, acrescentando que o alvo do ataque ainda é desconhecido.

A explosão abriu uma imensa cratera no meio do mercado, coberto por poças de sangue, segundo constatou o jornalista da AFP presente no local.

"Eu estava lavando meu carro no momento da explosão, que me jogou a mais de três metros. Eu me vi no chão coberto por pedaços de carne humana", contou Zulfiqar Khan, um motorista de ônibus de 26 anos.

O distrito de Khyber é cenário de atividades de vários movimentos rebeldes, com maior ou menor vínculo com os talibãs, que criticam a aliança do governo paquistanês com Washington.

Vários atentados do gênero foram reivindicados pelo Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP), que jurou lealdade à Al-Qaeda e decretou guerra santa contra Islamabad em 2007 por seu apoio a Washington. Desde então, mais de 4.700 pessoas morreram em todo o país em mais de 500 atentados.

Este é o atentado mais violento no Paquistão desde 15 de setembro de 2011, quando um ataque suicida matou 46 pessoas em um funeral no distrito de Baixo Dir.

A relativa pausa nos atentados havia alimentado rumores de negociações entre as autoridades e os talibãs, desmentidas pelos extremistas.

Khyber, que também sofre com a atuação de grupos mafiosos, é uma das áreas de passagem dos comboios de material das forças da Otan no Afeganistão, mas o tráfego está bloqueado há mais de um mês pelo Paquistão em represália por um erro da Otan que matou 24 soldados paquistaneses em novembro.