Presidente do Irã diz que EUA não sabem de nada sobre programa nuclear

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, disse nesta segunda-feira, em sua visita a Caracas, que os Estados Unidos "não sabem de nada" quando acusam o Irã de tentar obter uma bomba nuclear.

"Não sabem de nada do que ocorre. Isto é uma piada, algo para rir", afirmou Ahmadinejad sobre a denúncia de Washington de que Teerã busca uma arma nuclear.

Os Estados Unidos "têm medo do nosso desenvolvimento, não querem que nossa economia se desenvolva, não querem nossa industrialização", disse o líder iraniano.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, acusou Washington de usar a questão nuclear como "desculpa para fazer o que fizeram no Iraque, sob a alegação (da presença) de armas de destruição em massa...".

Chávez acusou Washington de "fabricar a ponta da mentira para ter desculpas para invadir, para agredir", e disse que "não é por acaso" que o Irã e a Venezuela estão "na mira", por que têm as maiores reservas mundiais de petróleo do planeta.

O líder venezuelano também chamou de "ridículo" o pedido dos Estados Unidos para que os países latino-americanos que recebem Ahmadinejad - Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador - não aprofundem suas relações com o Irã.

Ahmadinejad destacou que os Estados Unidos podem "morrer de nojo" com estas relações, mas "a colaboração vai se aprofundar até que possamos atingir nossos objetivos".

As autoridades iranianas anunciaram nesta segunda-feira que começaram as atividades de enriquecimento de urânio em uma nova usina e que elas são realizadas sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

As novas operações de enriquecimento de urânio ocorrem na usina de Fordo, uma unidade subterrânea abaixo de uma montanha, o que dificulta um eventual ataque.

Os Estados Unidos reagiram afirmando que o anúncio constitui uma "nova escalada" na polêmica com a comunidade internacional em torno do programa nuclear iraniano.

O Irã insiste em que seu programa nuclear tem fins pacíficos e que não abandonará o enriquecimento de urânio apesar das quatro séries de sanções do Conselho de Segurança da ONU para que Teerã encerre seu programa.