Irã enriquece urânio em usina subterrânea sob supervisão da AIEA 

As autoridades iranianas anunciaram nesta segunda-feira que começaram as atividades de enriquecimento de urânio em uma nova usina e que elas são realizadas sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), organismo que confirmou posteriormente esta informação.

O representante do Irã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, foi o primeiro a fazer o anúncio: "Todas as atividades nucleares, principalmente o enriquecimento de urânio em Natanz e Fordo (150 km a sudoeste de Teerã), são supervisionadas pela AIEA", afirmou Soltanieh, em Viena, ao canal de televisão iraniano Al Alam.

Trata-se do primeiro anúncio por parte de Teerã de operações de enriquecimento em Fordo, uma usina subterrânea abaixo de uma montanha, o que dificulta um eventual ataque.

Posteriormente, o porta-voz da AIEA, Gill Tudor, publicou um comunicado confirmando o anúncio de Teerã:"a AIEA pode confirmar que o Irã iniciou a produção de urânio enriquecido até 20% (...) na usina de Fordo".

"Todo o material nuclear na instalação permanece sob a supervisão da agência", acrescentou o texto.

Um diplomata ocidental na sede da AIEA em Viena também confirmou esta informação: "Esta última provocação reforça as inquietações da comunidade internacional", comentou, pedindo para manter sua identidade preservada.

Os Estados Unidos disseram nesta segunda-feira que as atividades de enriquecimento de urânio que o Irã realizada no novo local constituem uma "nova escalada" na polêmica com a comunidade internacional em torno de seu programa nuclear.

"Se (os iranianos) estão enriquecendo (urânio) a 20% em Fordo (...) é uma nova escalada na violação de suas obrigações nucleares", disse a porta-voz do departamento de Estado, Victoria Nuland.

"Pedimos mais uma vez ao Irã, para suspender suas atividades de enriquecimento, cooperando totalmente com a AIEA e respeitando as resoluções do Conselho de Segurança e do conselho de dirigentes da AIE", declarou Nuland aos jornalistas.

No sábado passado, o chefe da Organização Iraniana de Energia Atômica (OIEA), Fereydun Abasi Davani, já tinha anunciado a iminente inauguração da usina de Fordo, que pode ter até 3 mil centrífugas. O Irã possui outras 8 mil centrífugas na usina de Natanz.

"A usina de Fordo, como a de Natanz, foi projetada de forma que o inimigo não possa destruí-la", declarou.

O início destas operações "seria um novo exemplo do comportamento do Irã, que ignora completamente as resoluções do Conselho de Segurança (...). É inquietante porque diversifica a capacidade do Irã de enriquecer urânio em outra usina, que está protegida e enterrada", disse outro diplomata ocidental de Viena.

O Irã insiste em que seu programa nuclear tem fins pacíficos e que não abandonará o enriquecimento de urânio apesar das quatro séries de sanções do Conselho de Segurança da ONU para que Teerã encerre seu programa.

Diversos representantes iranianos garantiram nas últimas semanas que Teerã está disposto a retomar as negociações com as potências do chamado 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha). A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, declarou, contudo, que espera esse oferecimento por escrito.