Haitianos buscam vida nova no Brasil; mais de 4 mil entraram no país

Cerca de 40 haitianos devem deixar diariamente a cidade de Brasileia, no interior do Acre, em direção a diversas capitais do Brasil à procura de emprego e oportunidades de vida, afirmou Nilson Mourão, secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre. 

A partir desta segunda-feira (9) vistos começaram a ser expelidos, dando condições legais aos imigrantes para viver, estudar a trabalhar no país. Atualmente, 1,2 mil haitianos estão em situação irregular na cidade, esperando a análise do Ministério da Justiça para conseguir a documentação legal, como a carteira de trabalho. Em apenas 10 dias, 550 haitianos chegaram a cidade.

Autoridades acreditam que cerca de 4 mil haitianos estejam no país e cerca de metade tenha entrado com um pedido de visto. Mourão afirmou ainda que a maior parte dos haitianos já regularizados deixará o Acre com destino à Rondônia, onde trabalharão em empresas responsáveis pela construção das usinas hidrelétricas Jirau e Santo Antônio. Alguns podem ser contratados por empresas para trabalhar em outros estados.

O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão do Ministério da Justiça, afirmou que os imigrantes do Haiti não podem ser tratados como refugiados, por não se enquadrarem na Convenção de Genebra nem na lei nº 9.474/97. São considerados imigrantes sob modo humanitário. 

Desde que os imigrantes chegaram no país, o governo do Acre já gastou mais de 1,5 milhão de reais com abrigo e alimentação.

Travessia

A maioria dos haitianos que chega ao Brasil atravessou a fronteira na Bolívia ou no Peru, vindos do Equador. Segundo eles, o caminho até chegar ao Acre não é fácil. A jornada começa em Porto Príncipe, de barco, até o desembarque no Panamá. Depois, de avião, seguem para o Equador e de lá, com a "ajuda" de coiotes, vão a pé, passando pela Bolívia ou o Peru, até a fronteira com o Brasil. No caminho, muitos problemas.

Os coiotes - pessoas que cobram dinheiro para guiar imigrantes ilegais em direção a fronteira - é uma realidade comum na região que divide o México e os Estados Unidos. No entanto, com o fluxo de haitianos que chegam ao Brasil, este tipo de "ocupação" passou a ser comum também na fronteira com a Bolívia e o Peru. De acordo com alguns imigrantes, os coiotes "aliciam" pessoas ainda no Haiti e prometem oportunidades no Brasil por cerca de 4,5 mil dólares.  

Segundo relatório enviado ao ouvidor Carlos Alberto de Souza e Silva Júnior, da Secretaria Especial de Políticas da Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), muitas mulheres são bolinadas ou estupradas durante o trajeto. De acordo com o documento, algumas foram vítimas de tentativa de estupro e outras foram estupradas por taxistas peruanos e bolivianos.

Roubos também são constantes. O relatório afirma ainda que o número de mortes entre os haitianos tem aumentado nas últimas semanas.

- Isso ocorre no caminho entre Peru e Bolívia, mais precisamente numa cidade chamada Soberania (Bolívia). Tais violências são praticadas por policiais da Força Nacional do Peru e da Bolívia e também por taxistas que transportam os haitianos. Não há relato de envolvimento de brasileiros - assina