Cristina Kirchner recebe alta; médicos descartam câncer

Buenos Aires - A presidente argentina, Cristina Kirchner, recebeu alta médica neste sábado após ser operada na quarta-feira passada, com os estudos médicos descartando a possibilidade de câncer de tireoide como havia sido diagnosticado no início, informou o porta-voz presidencial, Alfredo Scoccimarro.

"A análise histopatológica definitiva constatou a presença de nódulos em ambos os lóbulos da glândula tireóide da presidente, mas descartou a presença de células cancerígenas, modificando o diagnóstico inicial da punção", disse Scoccimarro ao ler o relatório médico oficial.

A presidente, de 58 anos, "descansou normalmente e se encontra em ótimo estado geral", disse o porta-voz. "Cristina Kirchner deixou o hospital para continuar sua recuperação na residência presidencial de Olivos (norte)", completou.

Segundo o médico, "com este diagnóstico positivo, a equipe encarregada considera o tratamento cirúrgico suficiente, sem a necessidade da administração de iodo radioativo". Nestes casos a mudança de diagnóstico "é algo que pode ocorrer", disse o cirurgião Ernesto Ibarra Puente em declarações ao canal de televisão Todo Noticias. 

Segundo o médico "este tipo de operação pode ter erros", mas defendeu a decisão de intervir diante da eventualidade de uma confirmação do diagnóstico de câncer. "O diagnóstico inicial deve ter dado uma célula papilar e o cirurgião, um prestigiado especialista, decidiu pela intervenção", disse. 

A médica Alicia Gauna, ex-presidente da Sociedade Argentina de Endocrinologia e Metabolismo (SAEM), concordou que "ao se confirmar que se tratava de adenomas foliculares, a doença foi resolvida com a cirurgia". 

"É de se esperar um pós-operatório sem incovenientes. O paciente pode se recuperar e apenas cuidar do ferimento (da cirurgia), e pode tomar analgésicos comuns para qualquer incômodo", disse. 

Kirchner recebeu alta e antes do meio-dia deste sábado deixou de helicóptero o hospital privado Austral de Pilar (50 km ao norte de Buenos Aires) rumo à residência presidencial de Olivos (periferia norte), onde continuará sua recuperação. 

A presidente "descansou normalmente e se encontra em ótimo estado geral, com base em tudo isso, a equipe médica autorizou a alta", disse o porta-voz. 

A operação realizada na quarta-feira durou três horas e meia e consistiu na remoção da glândula tireóide. 

A notícia sobre sua suposta doença, que a tornava a quinta chefe de Estado da América Latina a ser diagnosticada com câncer, caiu como um balde de água fria no país sul-americano que a reelegeu com mais de 54% dos votos. 

Kirchner está de licença médica desde o dia 24 de janeiro, período durante o qual, o vice-presidente Amado Boudou ficou no comando do Poder Executivo. 

A presidente esteve acompanhada durante a cirurgia por seus filhos Máximo (32 anos) e Florença (24) e outros familiares, como sua mãe, sua irmã e sua cunhada, a ministra da Ação Social Alicia Kirchner, irmã do falecido ex-presidente Néstor Kirchner. 

Centenas de seguidores, que fazem vigília em frente ao hospital desde quarta-feira, aplaudiram e cantaram quando o diagnóstico de câncer foi descartado.