Putin minimiza onda de protestos

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou neste sábado que não há nada de anormal na onda de protestos no país em pleno período eleitoral e afirmou que este é o preço a pagar pela democracia.

"Estamos no meio de um ciclo político, as eleições legislativas terminaram e a eleição presidencial vai começar", declarou Putin em um discurso exibido na televisão dirigido à nação por ocasião do Ano Novo.

"Em períodos como este, os políticos exploram os sentimentos dos cidadãos, tudo se desestabiliza um pouco, tudo ferve, mas é o preço a pagar pela democracia. Não há nada de anormal nisto", completou.

O regime de Vladimir Putin vive o maior movimento de protestos desde sua chegada ao poder, no ano 2000, e a pouco mais de dois meses da eleição presidencial, em março, na qual ele é o favorito para assumir o Kremlin pela terceira vez, depois de ter sido chefe de Estado de 2000 a 2008.

Em 24 de dezembro, entre 70.000 e 100.000 pessoas protestaram em Moscou para exigir a anulação das eleições legislativas e uma "Rússia sem Putin". Duas semanas antes, a oposição já havia reunido dezenas de milhares de pessoas nas ruas, uma mobilização excepcional para o país.

Putin, no entanto, minimizou em várias ocasiões o movimento de protesto e afirmou que um diálogo com os opositores é impossível, por considerar que o movimento é desorganizado e carece de líder ou programa.

Neste sábado, pelo menos, o primeiro-ministro desejou um feliz ano novo a todos os russos, independente das opiniões políticas.

"Quero desejar felicidade e prosperidade a todos os cidadãos, independente de suas inclinações políticas, aos de esquerda, de direita, de cima e de baixo", afirmou.