Observadores árabes visitam bastiões dos protestos na Síria

Os observadores da Liga Árabe puderam visitar nesta quarta-feira os bairros rebeldes de Homs (centro), em meio aos temores ocidentais de que a missão seja sabotada por falta de tempo ou de liberdade de movimento.

Coincidindo com esta visita iniciada na terça-feira, as autoridades sírias anunciaram a libertação de 755 detidos "envolvidos" no levante popular contra o regime de Bashar al-Assad, que afeta o país desde meados de março.

A missão de observadores forma parte de um plano de saída da crise da Liga Árabe, que prevê também a libertação dos manifestantes detidos.

Os observadores viajarão nesta quarta-feira à noite para Deraa (sul), Idleb (noroeste) e Hama (centro), três bastiões dos protestos, assim como para os arredores de Damasco, declarou à AFP o general sudanês Mohammed Ahmed Mustafá al Dabi, chefe da missão.

"Nesta noite e na quinta-feira de manhã os observadores serão mobilizados em Idleb, Hama, Deraa e em um perímetro de 50 a 80 km ao redor de Damasco", indicou o general, que chegou no fim de semana à Síria, onde o regime de Bashar al-Assad continua reprimindo os protestos e prosseguem os choques entre militares e desertores, segundo organizações da oposição.

O general al-Dabi classificou de "boa" a missão dos observadores em Homs na terça-feira, dia em que mais de 70 mil manifestantes contra o regime marcharam em um bairro desta cidade situada 160 km ao norte de Damasco.

O general também anunciou que outros 16 observadores chegaram à Síria para se unir à meia centena deles que já estão presentes desde segunda-feira à noite para vigiar a situação no local. "Outros observadores chegarão progressivamente, com o objetivo de cobrir toda a Síria", disse.

Segundo militantes no local, citados pelo opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres, os observadores puderam finalmente ter acesso ao bairro rebelde de Baba Amro, depois que os habitantes impediram sua entrada pela presença, entre eles, de um oficial do exército sírio.

Os vizinhos do local pediram aos observadores "que venham ver as pessoas feridas e os familiares dos mártires, e não os membros do partido Baath" no poder.

O comitê de observadores se dirigiu posteriormente ao bairro rebelde Bab Sebaa, onde o regime preparou um desfile dos partidários do presidente Assad.

A Rússia pediu nesta quarta-feira à Síria que dê a maior liberdade possível aos observadores da Liga Árabe.

"Trabalhamos constantemente com os líderes sírios, convocando-os a cooperar plenamente com os observadores da Liga Árabe e a fornecer as condições de trabalho as mais livres e sem restrições possíveis", declarou o chanceler russo, Serguei Lavrov, em uma coletiva de imprensa.

No entanto, Lavrov disse estar "preocupado", já que outros países estão tentando convencer a oposição síria de que o envio de observadores da Liga não constitui um modo adequado de determinar com maior precisão o que ocorre na Síria.

A Rússia, um aliado chave da Síria, e a China vetaram uma resolução europeia no Conselho de Segurança da ONU em outubro, mas Moscou surpreendeu o Conselho em meados deste mês com um projeto que condena a violência "cometida por todas as partes". A proposta russa foi classificada de "desequilibrada" por diplomatas europeus e americanos.

As autoridades sírias libertaram 755 pessoas detidas que estavam envolvidas na rebelião popular contra o regime, informou nesta quarta-feira a televisão pública síria.

A rede anunciou que "755 detidos, envolvidos nos últimos eventos na Síria e que não têm as mãos manchadas de sangue, foram libertados".

Em novembro, cerca de 4.300 pessoas presas durante a repressão foram libertadas pelas autoridades sírias.

Nesta quarta-feira, quatro soldados do exército regular sírio morreram e 12 ficaram feridos em uma emboscada preparada por desertores na província de Deraa (sul), anunciou o OSDH.

Segundo a ONU, mais de 5 mil pessoas morreram na Síria desde o início da revolta contra o regime de Bashar al-Assad, em meados de março.

O regime afirma que a violência é responsabilidade de "grupos armados" que buscam semear o caos no país, e que os confrontos já deixaram 2 mil soldados mortos.