Israel aprova novos projetos de colonização em Jerusalém Oriental

JERUSALÉM - A prefeitura de Jerusalém autorizou nesta quarta-feira a construção de um vasto complexo turístico e 130 novas casas no setor oriental anexado da Cidade Santa, continuando assim sua controversa política de colonização em Jerusalém Oriental.

Em outro ato relacionado com a colonização, o governo de Benjamin Netanyahu decidiu legalizar uma colônia no norte da Cisjordânia, segundo um acordo fechado nesta quarta-feira com seus representantes.

A prefeitura autorizou na quarta-feira a construção de um polêmico centro turístico no bairro palestino de Silwan, na parte anexada da cidade, informou um vereador à AFP.

"O município autorizou a construção de um complexo turístico que inclui 250 vagas de estacionamento, um parque arqueológico, um centro de eventos e uma bilioteca", disse Pepe Alalu, do partido de esquerda Meretz, sobre o complexo que ficará localizado ao sul das muralhas da cidade velha.

O projeto será construído em um terreno atualmente utilizado como uma área de estacionamento, perto da principal entrada da Muralha Ocidental e do bairro judeu da cidade velha. Aproximadamente 40.000 palestinos vivem em Silwan.

Representantes da comunidade palestina criticaram energicamente o projeto, considerado uma nova etapa dos planos de Israel de invadir essa região.

"Israel autorizou a empresa de ocupação Elad a construir um enorme projeto em Silwan, cobrindo 8.400 metros quadrados", disse Fakhri Abu Diab, responsável pelo Comitê de Defesa de Silwan. No mesmo dia, a prefeitura também distribuiu ordens de demolição de diversas casas no bairro.

Também foi aprovada a construção de um banheiro ritual, para uso dos visitantes judeus da "Cidade de David", conjunto de vestígios arqueológicos da época do rei David, informou Alalou.

"A cidade de Jerusalém dá grande importância ao desenvolvimento desse local turístico e arqueológico na Cidade de David que é visitada por centenas de milhares de visitantes e de turistas todos os anos", disse à AFP o porta-voz da prefeitura, Stephan Miller.

Esse projeto público foi lançado pela organização nacionalista Elad, cujo objetivo confesso é reforçar a presença judaica nos bairros árabes de Jerusalém Oriental.

Silwan, que conta com 40.000 habitantes palestinos, está localizado abaixo da cidade velha de Jerusalém e é frequente cenário de tensões entre residentes palestinos e dezenas de colonos judeus que se instalaram, sob alta vigilância, nesse bairro.

Israel proclamou toda Jerusalém como sua capital "eterna e indivisível", enquanto os palestinos querem tornar Jerusalém Oriental, ocupada e anexada depois da Guerra dos Seis Dias (junho de 1967), a capital do Estado palestino.

Mais de 310.000 israelenses vivem nas colônias da Cisjordânia ocupada. Outros 200.000 instalaram-se em cerca de 12 bairros de colonização em Jerusalém Oriental, onde vivem 270.000 palestinos.