Israel precisa agir para romper 'isolamento' regional, dizem EUA

O secretário de Defesa americano, Leon Panetta, disse nesta sexta-feira que Israel precisa agir para pôr fim a seu crescente "isolamento" no Oriente Médio, normalizando seus laços diplomáticos com o Egito e a Turquia e renovando o diálogo de paz com os palestinos.

Panetta destacou em um discurso, organizado pelo Centro Saban para o Oriente Médio do centro de análises Brookings Institution, que, "lamentavelmente, no ano passado, o mundo assistiu ao crescimento do isolamento de Israel em relação a seus tradicionais parceiros da região, e a busca pela paz no Oriente Médio foi interrompida".

Mas o funcionário admitiu que Israel não é o único culpado por sua difícil posição, e citou uma "campanha internacional" desenhada para isolar o país.

Panetta disse que compreende a ansiedade de Israel em relação à instabilidade no Oriente Médio, mas assinalou que a Primavera Árabe oferece uma oportunidade para tornar a região mais segura. "É crucial para Israel retomar as boas relações com Turquia, Egito e Jordânia, com quem divide o interesse de alcançar uma estabilidade regional", acrescentou.

Panetta disse estar preocupado com a direção que as relações turco-israelenses tomaram, prejudicadas por causa do ataque de um comando israelense contra uma flotilha com destino à Faixa de Gaza que custou a vida de 9 militantes turcos, em maio de 2010 - e chamou ambos os países a fazer mais para voltar à normalidade.

Quanto ao Egito, disse que os Estados Unidos compartilhavam as preocupações de Israel sobre a segurança na península do Sinai e pelo recente ataque contra a embaixada israelense no Cairo. Mas a melhor resposta é estabelecer a "comunicação e a cooperação com as autoridades egípcias" ao invés de "se distanciar delas", destacou.

Segundo o secretário da Defesa, Israel precisa "fazer esforços para alcançar a paz com os palestinos", como voltar à mesa de negociações. "O problema que temos agora é que não conseguimos voltar à maldita mesa de negociações".

Panetta destacou que os Estados Unidos permanecem comprometidos com a segurança de Israel, e vão impedir que o Irã obtenha armas nucleares, além de garantir a Israel uma clara capacidade militar, com o fornecimento de sofisticados mísseis de defesa e caças F-35.

Também prometeu que os Estados Unidos buscarão evitar que o Irã receba armas nucleares, e lembrou que um eventual recurso à ação militar não foi descartado pelo presidente Barack Obama.

Contudo, enfatizou que Washington concentra-se mais nos esforços diplomáticos e nas sanções do que na intervenção militar para persuadir o Irã a abandonar suas ambições nucleares, acrescentando que uma ação armada seria um "último recurso".

Panetta disse, no entanto, que não havia nenhuma garantia de que um ataque militar contra o Irã conseguiria acertar os alvos de seu programa nuclear, pois são lugares difíceis de alcançar.

Um ataque aéreo americano poderia não ser bem-sucedido, e as instalações nucleares subterrâneas do Irã poderiam sobreviver. Ele ressaltou que, no melhor dos casos, a ação militar poderia atrasar o programa nuclear iraniano em um ou dois anos.

"Isso depende da capacidade de realmente alcançar os alvos que se procuram. Sinceramente, alguns desses alvos são muito difíceis de se alcançar", acrescentou, no momento em que se especula que Israel possa empreender uma ação preventiva para impedir que Teerã obtenha armas nucleares.

Panetta destacou que um ataque ao Irã poderia beneficiar Teerã, no momento em que se encontra em compasso com a Primavera Árabe, assim como desencadear um ciclo imprevisível de violência na região.