Cesare Battisti quer 'anistia' da Itália e retorno à França

O ex-militante de ultraesquerda italiano Cesare Battisti, reclamado em seu país por assassinatos ocorridos nos anos 1970, espera que a Itália declare, um dia, "uma anistia", e deseja voltar à França, de onde fugiu para o Brasil em 2004, para escapar da extradição, publicou o jornal "Le Monde".

"O que desejo? Uma reconciliação com o povo italiano. É necessária uma anistia, outros países conseguiram", disse o ex-ativista italiano, condenado à revelia, em 1993, à prisão perpétua, pela autoria direta ou indireta de quatro assassinatos ocorridos nos anos 1970, crimes dos quais se declara inocente.

Segundo Battisti, "a renúncia de Berlusconi não mudará nada. Os mesmos partidos e políticos estarão no poder", contou. "A Itália não quer encerrar o expediente porque foram eles mesmos que criaram este monstro Battisti", acrescentou o ex-militante, hoje escritor de romances policiais.

"Gostaria de voltar a Paris. Foi ali que cresci intelectualmente, ali me formei. Não descarto isso", disse Battisti, que hoje vive no município paulista de Cananéia. Ele foi capturado no Rio de Janeiro em 2007, e permaneceu em um presídio de Brasília até a sua libertação, no último dia 9 de junho.

Ao citar seus anos de militante no pequeno grupo extremista Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), Battisti, 56, assumiu sua "responsabilidade política e militar", mas insistiu em que nunca matou ninguém. Disse ter "um olhar crítico" sobre seu passado, sem, no entanto, arrepender-se.

"Houve falhas cometidas, é evidente. Pretender mudar a sociedade por meio das armas é uma estupidez (...) Mas naquela época, todo mundo tinha armas! Havia guerrilheiros no mundo inteiro. A Itália vivia uma situação pré-revolucionária", comentou.

Battisti disse que deixou o PAC nos dois meses que se seguiram à morte de Aldo Moro, em maio de 1978: "Foi durante esse intervalo que aconteceu um dos assassinatos cuja autoria foi atribuída a mim."