ONU pede proteção para população síria

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu nesta sexta-feira que a comunidade internacional proteja a população síria depois da revelação de que mais de 300 crianças foram mortas pelas forças de segurança do regime de Damasco desde o mês de março.

Ao abrir uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos, Pillay lembrou as conclusões do relatório divulgado na segunda-feira pela comissão internacional de investigação, com mandato do Conselho de Direitos Humanos, que denuncia crimes contra a Humanidade cometidos pelas forças de segurança sírias. Ela insistiu sobre a "necessidade urgente" de que a Síria "preste contas" sobre suas ações.

"A repressão brutal" das autoridades sírias deve ser interrompida ou poderá afundar o país "em uma guerra civil total", disse Pillay.

Ela indicou que desde março mais de 4.000 pessoas foram mortas em meio à violenta repressão no país. Entre as vítimas há 307 crianças, além dos milhares que foram presos.

Pelo menos 12.400 pessoas se refugiaram em países vizinhos, acrescentou.

Ela pediu que o Conselho de Segurança a levar um relatório sobre a situação na Síria ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

Diante do "claro fracasso" das autoridades sírias "em proteger seus cidadãos", a comunidade internacional deve "adotar medidas urgentes e eficazes para proteger o povo sírio", acrescentou a alta comissária.

"O sofrimento extremo da população interna e externa da Síria precisa ser tratada como uma questão de urgência", disse o brasileiro Paulo Pinheiro, um dos especialistas da comissão internacional.

Ele afirmou que as forças de segurança mataram 56 crianças somente em novembro, o mês mais sangrento desde o início da violência.

Pinheiro comunicou que copilou provas sólidas sobre a morte de crianças vítimas de tortura e assassinatos arbitrários atribuídos as forças de segurança.

O embaixador francês na ONU, Jean-Baptiste Mattei, revelou que a sessão especial sobre a Síria, a terceira em sete meses, é "o sinal de que não o povo sírio não foi abandonado, que enfrenta atos bárbaros cometidos pelas autoridades e que atingem cegamente homens, mulheres e crianças".

Os Estados Unidos "condenam com veemência a matança, as prisões arbitrárias e a tortura de manifestantes pacíficos", disse o representante americano, Eileen Chamberlain Donahoe.

O Conselho de Direitos Humanos deve votar no fim do dia um projeto de resolução que prevê uma condenação das "graves violações sistemáticas dos direitos humanos" cometidas pelas autoridades sírias e pedir que o relatório da comissão de investigação seja levado à Assembleia Geral da ONU e ao Conselho de Segurança da ONU.

Apresentado pela Polônia em nome da UE, a convocação da sessão especial foi pedida por 68 países, membros e não-membros do Conselho.

Nesta ocasião, o embaixador russo Valery Loshchinin disse que a comunidade internacional apresentou um relatório "parcial" e "tendencioso" dos eventos na Síria.