Rei da Jordânia pede a renúncia do presidente sírio

O rei Abdullah II da Jordânia pediu nesta segunda-feira que o presidente sírio, Bashar al-Assad, "deixe o cargo", em uma entrevista concedida à rede de televisão pública BBC.

"Acredito que, se estivesse em sua posição, deixaria o cargo. Deixaria o cargo e asseguraria que qualquer um que viesse depois de mim tivesse a capacidade de mudar o status quo que estamos vendo", declarou Abdullah II na entrevista à BBC World News, tornando-se o primeiro líder árabe a pedir a renúncia de Assad.

O monarca jordaniano insistiu que o presidente sírio deve inaugurar uma nova era política de diálogo na Síria para permitir que sejam implementadas reformas após meses de repressão a protestos por parte do regime.

"Não acredito que o sistema permita isso, ou seja, se Assad se interessasse por seu país, deixaria o poder, mas também criaria as condições necessárias para iniciar uma nova fase na vida política síria", disse.

As declarações de Abdullah II foram feitas dois dias após a Liga Árabe ter suspendido a Síria como membro da organização por sua rejeição em aplicar o plano árabe para pôr fim à crise, como havia prometido, e de ter ameaçado o país com sanções.

A Síria anunciou no dia 2 de novembro que aceitava um plano árabe que incluía o fim da violência, a libertação dos prisioneiros, a retirada do Exército das cidades e a livre circulação dos meios de comunicação. Essas iniciativas deveriam ser seguidas pela abertura de um diálogo nacional.

A repressão às manifestações na Síria deixou desde meados de março mais de 3.500 mortos, segundo a ONU.