Novo primeiro-ministro italiano inicia consultas para montar gabinete

O novo premier da Itália, Mario Monti, iniciou nesta segunda-feira as consultas às forças políticas do país para compor o próximo gabinete de ministros, logo após ser nomeado pelo presidente Giorgio Napolitano para conduzir a próxima gestão.    

Na sede do Senado, o Palazzo Giustiniani, Monti já recebeu a representação parlamentar das minorias linguísticas do Vale de Aosta, uma região autônoma e de cultura bilíngue ítalo-francesa.    

As entrevistas com as lideranças e as representações parlamentares de todos os grupos políticos estão programadas para ocorrer até amanhã de manhã. No período da tarde de terça-feira, estão agendados encontros com representantes de organizações sociais.    Até agora, apenas a Liga Norte, que compunha a maioria parlamentar sob a gestão de Silvio Berlusconi, manifestou que será oposição. Já o partido Itália dos Valores (IDV), de centro-esquerda, faz críticas à "descontinuidade" do governo.    

Hoje, o líder do IDV, Antonio Di Pietro, declarou que não quer dar apoio "a um governo onde estão alguns daqueles que nos levaram onde estamos hoje, à beira do abismo". Para ele, Napolitano, ao nomear o economista italiano, garantiu a "descontinuidade" da gestão.    

No entanto, Di Pietro atestou que as forças de oposição concordam que Monti "deve iniciar seu trabalho", e afirmou que, sendo líder de um governo técnico, o economista não deve se fundar em uma coalizão ou uma maioria política.    

Para o ex-primeiro-ministro Massimo D'Alema, do Partido Democrático (PD), que compôs a bancada de oposição a Berlusconi, a formação do um novo gabinete é uma ocasião para realizar "um esforço de relegitimação da política" e, para que as forças políticas não "renunciem" ao seu papel, ele defende a aprovação de "uma lei eleitoral do tipo europeu".    

O líder do partido União Democrática de Centro (UDC), Pier Ferdinando Casini, discorda, porém, que essa seja uma prioridade. O governo de Monti, defendeu, "nasce antes para enfrentar a crise econômica". "A lei eleitoral vem depois", acrescentou.    

Por sua vez, o líder do Futuro e Liberdade para a Itália (FLI), Gianfranco Fini, ex-aliado de Berlusconi, destacou que a nova gestão "não representará o fim dos bipolarismos, mas só do bipolarismo muscular, no qual um polo está sempre pronto a deslegitimar o adversário".    

Monti foi nomeado primeiro-ministro da Itália um dia após a Câmara dos Deputados aprovar a lei de estabilidade com o pacote de ajustes econômicos prometidos à União Europeia (UE) e depois de Berlusconi apresentar sua renúncia, como prometido. A função do ex-comissário europeu é guiar a aplicação das medidas econômicas, que incluem congelamento de salários do setor público, aumento da idade de aposentadoria e aumento de impostos.