Líderes da Apec propõem integração comercial para combater crise

Os líderes das principais economias da Ásia e do Pacífico propuseram neste domingo uma maior integração comercial como forma de combater a instabilidade financeira global.

Para colocar em prática essa ideia, os nove países participantes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), que agrupa ao todo 21 países, anunciaram sua intenção de estabelecer a maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 500 milhões de consumidores. Até mesmo o Japão já anunciou que quer se juntar ao projeto.

A dúvida agora, disseram participantes do Fórum, é a extensão dos efeitos da crise da dívida da Europa na Ásia e no Pacífico.

"Antes de tudo, precisamos ser capazes de superar a recessão", disse o presidente russo, Dmitry Medvedev.

Outro empecilho, dizem os analistas, é que o grupo possui suas próprias diferenças internas. O presidente americano, Barack Obama, por exemplo, deixou claras durante o evento suas divergências em relação à política comercial exterior da China ao presidente chinês, Hu Jintao.

Segundo Michael Froman, vice-conselheiro de segurança nacional, "Obama afirmou a Hu Jintao que o povo e os empresários americanos estão se tornando cada vez mais impacientes e frustrados com a política econômica da China", disse.

Além das preocupações em relação à China, os Estados Unidos temem também que a crise europeia afete ainda mais sua já lenta recuperação. A China já aventou a possibilidade de ajudar a Europa financeiramente, mas faz sérias exigências para que essa ajuda seja efetivada.

"A recuperação econômica mundial está repleta de instabilidade e incertezas", disse Hu Jintao durante um discurso para empresários.

Obama aproveitou o encontro para anunciar um acordo de livre comércio transpacífico (TPP, na sigla em inglês).

A China disse apoiar a ideia do TPP, mas Hu Jintao não mencionou se seu país planeja se juntar as negociações do grupo. Os países membros do TPP atualmente são: Austrália, Brunei, Chile, EUA, Malásia, Nova Zelândia, Peru, Singapura e Vietnã.

O Japão, terceira maior economia mundial, cogita aderir ao TPP.

As negociações do grupo, que segundo Obama devem ser concluídas em 2012, possuem uma realização complexa.

A região da Ásia e do Pacífico é atualmente a mais dinâmica economicamente do mundo, mas ainda existem grandes diferenças no desenvolvimento econômico interno.

"O processo de construção de um sistema de comércio Ásia-Pacífico vai demorar muitos anos e isso vai dar tempo para convergir as estruturas econômicas e as regras" de cada país, disse à AFP Peter Petri, um especialista em relações comerciais Ocidente-Oriente. "Enquanto isso, devemos aumentar os esforços para aprofundar o diálogo entre os EUA e a China", completou.

Paralelamente ao Fórum, centenas de pessoas marcharam em protesto contra a realização do encontro.