Itália adota medidas que abrem caminho para renúncia de Berlusconi

ROMA - A Câmara de Deputados italiana adotou neste sábado as medidas de ajuste exigidas pela União Europeia (UE) para solucionar a crise econômica, condições colocada pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi para apresentar sua renúncia ao cargo.

O pacote foi adotado definitivamente pelo Parlamento, depois do que o multimilionário político prometeu apresentar sua demissão ante o presidente da República, Giorgio Napolitano, para ser substituído por um governo de emergência que se comprometa em reduzir a colossal dívida pública do país.

Espera-se que Berlusconi renuncie oficialmente em um pronunciamento às 17h30 (Brasília). O ex-comissário da União Europeia Mário Monti, atualmente na Universidade Bocconi, em Milão, reuniu-se por cerca de 2 horas com o premier neste sábado e é indicado como o favorito para substituí-lo no cargo. 

O plano de ajustes, aprovado esta sexta-feira pelo Senado da Itália e ratificado definitivamente este sábado pela Câmara dos Deputados, foi parabenizado pela diretora- gerente do FMI, Christine Lagarde, e inclui medidas como a  privatização de empresas públicas e enxugamento da máquina pública. Estabelece, ainda, medidas para estimular o emprego e aumentar o crescimento econômico, quase nulo nos últimos 10 anos. O pacote de medidas não inclui a reforma dos contratos de trabalho para facilitar as demissões, uma medida criticada pelos sindicatos, em particular a maior central sindical do país, CGIL. Veja outros pontos do plano de ajuste

A queda

Silvio Berlusconi é figurinha conhecida nas manchetes mundiais, seja por suas festas marcadas pela presença de garotas de programa, por suas frases polêmicas ou por seus envolvimentos em escândalos de corrupção.  Desde 1994, quando foi eleito pela primeira vez primeiro-ministro da Itália, tem sido uma figura política central, mas sua fama e fortuna já chamavam atenção bem antes disso.

A primeira vez que Berlusconi apareceu na lista da revistaForbes como uma das pessoas mais ricas do mundo foi em 1988 e, desde então, não saiu do ranking. Mesmo tendo caído cerca de 50% nos últimos dez anos, a fortuna do político – proprietário da empresa de mídia italiana Mediaset, empresas de entretenimento, bancos, além de presidente do time de futebol Milan - ainda é estimada em módicos U$6 bilhões.

Antes visto como inatingível pelos escândalos, a opinião pública começou a se cansar do premiê, eleito três vezes para o cargo. Apesar de já ter sido agredido nas ruas antes (em 2004), em 2009 um episódio marcou a reprovação da população, quando foi agredido durante um comício em Milão com uma miniatura da Catedral de Milão. Na ocasião, Berlusconi fraturou o nariz e quebrou dois dentes. Sua imagem política foi sendo denegrida aos poucos, conforme foram aparecendo acusações de suborno, conspiração, evasão fiscal, fraude fiscal, desvio de verba pública, corrupção e de envolvimento com prostituição nas famosas festas "bunga bunga".

Em conversas grampeadas, amplamente divulgadas em setembro deste ano, o primeiro-ministro se orgulha de reduzir uma fila de mulheres jovens do lado de fora da sua casa e de "fazer apenas oito meninas, porque eu não conseguiria mais". Em 2009, Veronica Lario, sua esposa há 19 anos, pediu divórcio depois de uma série de denúncias envolvendo, inclusive, meninas menores de idade.

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