Irã rejeita por antecipação relatório da AIEA e desafia Washington

O chefe da diplomacia iraniana, Ali Akbar Salehi, rejeitou previamente nesta terça-feira todas as acusações sobre o programa nuclear militar de seu país antes mesmos da publicação do relatório da AIEA sobre sua capacidade nuclear, e afirmou que os ocidentais continuam sem "nenhuma prova séria".

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, citado pelo site da televisão pública iraniana, também se pronunciou a respeito da publicação desse relatório, que acontecerá entre esta terça e quarta-feira.

"Os Estados Unidos possuem 5.000 bombas atômicas e nos acusam imprudentemente de fabricar armas nucleares. Eles precisam entender que se cortarem a mão que estenderam para o mundo, ninguém mais precisará de bomba atômica", declarou o presidente, segundo o site.

Durante uma coletiva de imprensa em Erevan, Salehi foi questionado sobre o relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e afirmou que "não existe nenhuma prova séria de que o Irã fabrica uma bomba nuclear".

De acordo com fontes diplomáticas ocidentais, o novo relatório da AIEA reafirma as suspeitas sobre as ambições militares do programa nuclear iraniano. Teerã sempre negou querer adquirir armas nucleares e garante que as pesquisas realizadas visam unicamente à produção de energia.

"O Ocidente e os Estados Unidos exercem uma pressão sobre o Irã sem argumentos sérios nem provas", disse Salehi.

"Nós sempre repetimos que não queremos fabricar armas nucleares. Nossa posição sempre foi de utilizar o programa nuclear para fins pacíficos", acrescentou.

Para o diplomata, "se a AIEA apresentar um relatório que não é objetivo, perderá credibilidade".

A AIEA deve criticar em seu relatório a "ausência de cooperação" do Irã e "o desrespeito as suas obrigações" como país membro, principalmente por continuar com o enriquecimento do urânio, que poderá levar o país à produção da arma atômica, afirmam fontes diplomáticas.

O chefe da diplomacia israelense, Avigdor Lieberman, citado pelo jornal Maariv, exigiu que a comunidade internacional aplique sanções internacionais "severas e incapacitantes".

Por sua vez, a China pediu nesta terça-feira a cooperação sincera do Irã com a AIEA, preconizando o "diálogo e a cooperação".

O presidente israelense, Shimon Peres, alertou no domingo que "a possibilidade de um ataque militar contra o Irã --inimigo declarado de Israel -- está mais próximo do que uma opção diplomática".

O presidente russo Dmitri Medvedev advertiu contra esta "retórica perigosa", embora reconheça que Teerã não cumpre com os seus compromissos.

"É preciso que as partes envolvidas permaneçam tranquilas. Precisamos evitar ameaças e comentários violentos", declarou. "Tudo isso pode levar a um conflito muito grande, o que seria uma catástrofe para o Oriente Médio".

Os iranianos disseram à Rússia que "estão prontos para cooperar, mas infelizmente não existe avanço neste sentido", acrescentou Medvedev.

O número dois do Conselho Nacional de Segurança iraniano, Ali Bagheri, é esperado nesta terça-feira em Moscou para uma reunião sobre o programa nuclear com o ministro russo das Relações Exteriores, Sergueï Lavrov, segundo comunicado do conselho.

Washington e seus aliados ocidentais não escondem a intenção de utilizar o relatório da AIEA para endurecer ainda mais as sanções individuais contra o Irã.