Supremo de Israel dá sinal verde para troca de presos

 A Suprema Corte de Israel rejeitou na noite desta segunda-feira várias ações contra a libertação de prisioneiros palestinos em troca do militar israelense Gilad Shalit, que será solto nesta terça-feira, informou a imprensa local.

Os juízes do Supremo negaram quatro recursos apresentados, incluindo um da associação de famílias de vítimas de atentados, acabando assim com o último obstáculo para a troca de presos sem precedentes.

A Suprema Corte justificou sua decisão afirmando que a questão é de competência exclusiva do governo, segundo a rádio militar.

"O governo é o único responsável pela segurança do Estado, dos soldados e dos cidadãos", afirmaram os juízes.

O sargento Gilad Shalit, 25 anos, está em cativeiro desde o dia 25 de junho de 2006, quando foi capturado por um comando palestino na fronteira com a Faixa de Gaza.

Nesta terça-feira, Gilad será transferido pela manhã da Faixa de Gaza para o Egito, de onde seguirá imediatamente para Israel.

O militar será recebido na base aérea de Tel Nof (sul de Israel) pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, pelo ministro da Defesa, Ehud Barak, e pelo chefe de Estado-Maior, general Benny Gantz, além de seus pais Noam e Aviva.

As autoridades israelenses prometem uma "recepção discreta, que respeite as necessidades do soldado e de sua família".

Em Gaza, o Hamas prepara uma recepção triunfal aos "heróis" libertados da prisão, e as principais ruas da cidade estão enfeitadas com bandeiras das diferentes facções palestinas e com fotos dos prisioneiros que serão libertados.

O sargento será trocado por um primeiro grupo de 477 palestinos - em sua maioria condenados à prisão perpétua -, dos quais 27 são mulheres.

Entre os detidos libertados está o mais antigo prisioneiro palestino em Israel, Nail Barghuti, preso desde 1978, e a primeira mulher no braço armado do Hamas, Ahlam al-Tamimi, condenada a 16 penas de prisão perpétua pelo atentado em uma pizzaria de Jerusalém Oriental (15 mortos no dia 9 de agosto de 2001).

Dos 477 prisioneiros, 137 serão autorizados a voltar para suas casas na Faixa de Gaza, 96 para a Cisjordânia e 14 para Jerusalém Oriental.

No entanto, 204 palestinos serão exilados: 164 para a Faixa de Gaza e 40 para o exterior (Turquia, Qatar e Síria). Seis árabes israelenses poderão voltar para casa.

O acordo assinado na terça-feira entre Israel e o Hamas no poder em Gaza, com mediação egípcia, um segundo grupo de 550 detidos palestinos será libertado nos próximos dois meses.