Portugal apresenta novo plano para 2012, sindicatos pedem greve

O governo português quer apresentar nesta segunda-feira um draconiano plano de austeridade para 2012, com o objetivo de cumprir os compromissos com os credores internacionais. Contrários a essas medidas de ajuste, os sindicatos convocaram uma greve geral.

O ministro das Finanças Vitor Gaspar prevê entregar o documento até o final da tarde ao Parlamento, antes de explicar os detalhes em uma coletiva de imprensa marcada para acontecer às 17h00 GMT (14H00 de Brasília).

Os principais sindicatos portugueses, DGTP e UGT, convocaram uma greve geral, cuja data será definida na quarta-feira.

"Decidimos propor as direções do CGTP e do UGT a realização de uma greve geral", anunciou o secretário-geral da CGTP Manuel Carvalho, no final da reunião com seu homólogo da UGT, João Proença.

A última greve geral em Portugal aconteceu no dia 24 de novembro em protesto contra a política de austeridade realizada na época pelo governo de José Sócrates.

Com a assistência financeira da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional desde maio, Portugal é pressionado a realizar reformas no período de três anos para pagar o empréstimo de 78 bilhões de euros.

Apesar da determinação do governo, no poder desde junho, o país não consegue sanear suas finanças públicas e o déficit continua em 8,3% no primeiro semestre, o objetivo era reduzir pelo menos até 5,9% neste ano.

Para alcançar o déficit de 4,5% do PIB até o final de 2012, Passos Coelho anunciou a supressão temporária dos pagamentos extras dos funcionários públicos e pensionistas que ganham mais de 1.000 euros e o aumento da jornada de trabalho no setor privado.

O desemprego já afeta 12,3% da população ativa, e milhares de portugueses saíram às ruas no sábado para protestar contra as novas medidas, marcando da jornada mundial dos "indignados".

Os novos cortes são inevitáveis, afirma o Diário Econômico, ao mesmo tempo em que questiona se "estes sacrifícios resolverão os problemas", quando a recessão da economia portuguesa já "é mais profunda do que prevista".

Segundo o Jornal de Negócios, o governo enfrenta uma diminuição de 2,5 até 3% do PIB.

"Teremos que rezar para que o país não caia em uma recessão profunda em que as receitas diminuam com cada plano de austeridade, em uma espiral bem conhecida pelos economistas", ressalta Francisco Murteira Nabo, em sua coluna.

Em resposta aos que o acusam de "matar a economia", Passos Coelho reconheceu que o efeito recessivo da austeridade é inevitável, "mas nunca foi visto uma sociedade sobreviver e crescer se endividando em níveis insustentáveis", defendeu-se.