Movimento 'Ocupem Wall Street' chega ao seu primeiro mês

Exatamente um mês depois de algumas centenas de ativistas anticapitalismo terem montado um acampamento em Nova York, o "Ocupem Wall Street" se internacionalizou e ganhou atenção da Casa Branca, apesar de ninguém saber quais serão os próximos passos do movimento.

Os bem organizados acampamentos da praça Zuccotti, perto de Wall Stret, que abrigam manifestantes em barracas de plástico, iniciam seu segundo mês nesta segunda-feira com planos de grandes protestos como os que ocorreram durante o fim de semana na região da Times Square.

Eles não apenas conseguiram suprir as necessidades básicas de uma comunidade a céu aberto - criando, por exemplo, uma estação para carregar celulares e uma livraria - como receberam 275.000 dólares em doações, de acordo com Darrell Prince, porta-voz do protesto.

O próximo grande evento deverá ocorrer no sábado, que será o "Dia Nacional de Protesto contra a Brutalidade Policial", de acordo com o site occupywallst.org.

Superando expectativas, o movimento já teve um grande impacto, espalhando manifestações semelhantes por todo os Estados Unidos e Europa, com a mesma mensagem contra as desigualdades sociais entre o topo 1% da pirâmide e os 99% restantes.

Apesar de os números ainda serem relativamente pequenos - a maior manifestação reuniu de 10.000 a 20.000 pessoas -, os políticos passaram a prestar atenção no movimento, enquanto se aproximam as eleições de 2012.

O presidente Barack Obama orientou os democratas a apoiar o movimento.

Seu porta-voz disse no domingo que Obama citará a necessidade de garantir que "o interesse de 99% dos americanos estará sendo bem representado", em um discurso de campanha durante uma viagem a Carolina do Norte e Virgínia nesta semana. A citação é claramente uma referência ao slogan dos protestos, que é "nós somos os 99%".

Por outro lado, os candidatos republicanos à presidência têm sido severos em seus ataques ao grupo, mas admitem que o movimento se tornou muito grande para ser ignorado.

O último impulso dado ao Ocupe Wall Street ocorreu no sábado, quando Martin Luther King III, filho do ícone da luta dos direitos civis Martin Luther King Jr., afirmou na inauguração de um memorial em Washington que se seu pai estivesse vivo, ele se uniria ao protesto.

"Nós ajudamos a indústria automobilística, e nós precisávamos fazer isso. Nós ajudamos Wall Street. Agora é hora de ajudar os trabalhadores americanos. (Esse protesto) é sobre isso", disse.

"Acredito que se meu pai estivesse vivo, ele estaria aqui, com todos aqueles que estão envolvidos com esse protesto hoje."

As manifestações até agora foram majoritariamente pacíficas. No entanto, 175 pessoas foram presas em Chicago durante o fim de semana, seguindo outras detenções em massa ocorridas nos últimos dias em Boston, Denver e Nova York.

A principal questão agora é como o movimento, conhecido por suas iniciais OWS, usará seu poder de crescimento. Até agora nenhuma demanda específica foi feita, o que é criticado por detratores.

No entanto, a estratégia de simplesmente reunir jovens insatisfeitos com a estagnação da economia e com a desconexão entre pessoas comuns e a elite política e empresarial parece ter funcionado.

Mike Lupica, colunista do Daily News de Nova York, escreveu nesta segunda-feira que a imprevisibilidade do OWS estava causando furor no país "porque ninguém sabe o tamanho que esse movimento pode ter".

Alguns prevêem que o rígido inverno que se aproxima de Nova York afastará os manifestantes.

No entanto, os ativistas negam. E um símbolo dessa determinação pode ser encontrado no site da organização: a agenda publicada no site tem programação literalmente infinita.