Israel espera seu soldado Gilad Shalit e os palestinos, seus prisioneiros

Prisioneiro em Gaza há cerca de 2 mil dias, o soldado israelense Gilad Shalid pode recuperar na terça-feira a liberdade em troca de mil presos palestinos, segundo o acordo sem precedentes entre Israel e o movimento islamita Hamas.

A não ser que ocorra alguma surpresa, o sargento de 25 anos - que também tem a nacionalidade francesa - será transferido na manhã de terça-feira da Faixa de Gaza ao Egito, e depois levado imediatamente para Israel.

Será recebido na base aérea de Tel Nof (sul de Israel) pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, pelo ministro da Defesa Ehud Barak e pelo chefe de Estado-Maior, general Benny Gantz. Ali verá seus pais Noam e Aviva pela primeira vez em mais de cinco anos.

"A missão terá sido cumprida quando Gilad Shalit for devolvido vivo e com boa saúde para sua família", afirmou Netanyahu, que enviou nesta segunda-feira uma carta às famílias das vítimas de atentados palestinos cujos autores serão libertados.

Gilad Shalit - automaticamente reconhecido como vítima de estresse pós-traumático - voltará para sua casa em Motzpe Hila, localidade da Alta Galileia, no norte.

As autoridades israelenses prometeram uma "recepção discreta, que respeite as necessidades do soldado e de sua família".

Segundo o diretor do Conselho de Segurança Nacional, o general Yaakov Amidror, "tudo deve ocorrer como está previsto, a não ser que a Suprema Corte intervenha ou se alguém realizar provocações em Gaza", onde o Hamas prepara uma recepção triunfal aos "heróis" libertados da prisão.

As principais ruas de Gaza estavam enfeitadas com bandeiras de diferentes facções palestinas e com fotos dos prisioneiros que serão libertados.

Quatro ações contra a libertação dos palestinos foram apresentadas à Suprema Corte de Israel. Elas eram examinadas nesta segunda-feira pela mais alta instância judicial do país, que até agora não questionou o acordo de troca de detidos fechado pelo governo.

Noam Shalit, o pai, pediu que a Corte a rejeite estas demandas, já que "cada atraso corre o risco de fazer o acordo fracassar".

O jovem militar será trocado por um primeiro grupo de 477 palestinos - em sua maioria condenados à prisão perpétua -, dos quais 27 são mulheres.

Alguns destes palestinos serão recebidos na terça-feira no Egito pelo chefe no exílio do Hamas, Khaled Mechaal.

Entre os detidos libertados está o mais antigo prisioneiro palestino em Israel, Nail Barghuti, preso desde 1978, e a primeira mulher no braço armado do Hamas, Ahlam al-Tamimi, condenada a 16 penas de prisão perpétua pelo atentado em uma pizzaria de Jerusalém Oriental (15 mortos no dia 9 de agosto de 2001).

Dos 477 prisioneiros, 137 serão autorizados a voltar para suas casas na Faixa de Gaza, 96 para a Cisjordânia e 14 para Jerusalém Oriental.

No entanto, 204 palestinos serão exilados: 164 para a Faixa de Gaza e 40 para o exterior (Turquia, Qatar e Síria). Seis árabes israelenses poderão voltar para casa.

O acordo assinado na terça-feira entre Israel e o Hamas no poder em Gaza, com mediação egípcia, um segundo grupo de 550 detidos palestinos será libertado nos próximos dois meses.

Ao soltar 1.027 prisioneiros, muitos deles com as mãos manchadas de sangue, Israel aceitou pagar um preço proporcionalmente mais alto para recuperar um de seus soldados. Em maio de 1985, o Estado hebreu colocou em liberdade 1.150 palestinos contra três militares.

No entanto, segundo uma pesquisa publicada nesta segunda-feira, 79% dos palestinos são favoráveis à troca.

Com o passar dos anos, Gilad Shalit, capturado no dia 25 de junho de 2006 por um comando palestino na fronteira com a Faixa de Gaza, tornou-se um ícone em Israel.

Seu rosto adolescente aparece em todo lugar graças a uma campanha incansável de seus pais, que acamparam durante meses perto da residência de Netanyahu em Jerusalém.

Mas o acordo entre Israel e o Hamas não significa o fim das tentativas de sequestro de soldados, já que, como líderes do Hamas reiteraram nos últimos dias, "os sequestros prosseguirão enquanto existirem presos palestinos em cadeias israelenses".