Iêmen: Saleh não renuncia se ex-aliados concorrerem à presidência

O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, disse nesta quinta-feira à imprensa americana que não renunciará enquanto seus antigos aliados, hoje transformados em adversários, forem candidatos às futuras eleições.

Saleh destacou que o plano dos países do Golfo prevê que "todos os elementos" que causam tensão no Iêmen devem sair de cena, do contrário será preciso aguardar uma guerra civil.

O líder iemenita se referia ao general dissidente Ali Mohsen al Ahmar, que aderiu aos protestos populares deflagrados no início do ano, e à poderosa tribo Ahmar.

"Se transferirmos o poder e eles estiverem lá, significará que fomos objeto de um golpe de Estado", disse Saleh, que voltou há uma semana ao Iêmen, após três meses de tratamento médico na Arábia Saudita em consequência de um ataque sofrido em junho passado.

"Se transferirmos o poder e eles permanecerem em suas posições, tomando as decisões, será muito perigoso. Isto conduzirá a uma guerra civil".

Os repórteres da revista Time e do jornal Washington Post que realizaram a entrevista observaram "cicatrizes profundas" no rosto de Saleh, que apresentava problemas de audição.