Na Síria, opositores do interior são contra intervenção externa

Os opositores sírios do interior do país não têm a intenção de se unir ao Conselho Nacional Sírio criado em Istambul, alegando que esta instância está aberta à ideia de uma "intervenção estrangeira", afirmou nesta quinta-feira à AFP o escritor Michel Kilo.

"Os opositores reunidos no Conselho Nacional são favoráveis a uma intervenção estrangeira para resolver a crise na Síria, enquanto os opositores do interior são contra" este extremo, disse o escritor em uma entrevista em sua casa em Damasco.

O autor, 71 anos, é uma figura histórica da oposição ao regime do partido Baath, no poder na Síria desde 1963. Foi preso de 1980 a 1983 e de 2006 a 2009.

"Um pedido de intervenção estrangeira agravaria o problema, porque a Síria entraria na violência armada e no sectarismo, enquanto nós no interior nos opomos", disse.

Michel Kilo forma parte do opositor Comitê Nacional pela Mudança Democrática, que se reuniu no dia 17 de setembro perto de Damasco. Ele agrupa partidos "nacionalistas árabes", curdos, socialistas e marxistas, assim como personalidades independentes, como o economista Aref Dalila.

Já o Conselho Nacional Sírio, criado em Istambul no fim de agosto, conta com 140 membros, dos quais mais da metade vive na Síria. Este organismo está dividido em várias correntes, entre elas os islamitas, que são os mais importantes, junto com os liberais e os nacionalistas.

O Conselho Nacional Sírio recebeu o apoio da Coordenação de comitês locais, que agrupa os movimentos que querem a queda do presidente sírio Bashar al-Assad. O Conselho se reúne até este domingo em Istambul e espera o reforço da Irmandade Muçulmana, forte grupo islamita.