Netanyahu convida Abbas para reunião nesta sexta-feira na ONU 

O discurso de Netanyahu aconteceu pouco depois que o presidente da ANP comunicou à Assembleia que tinha entregado ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sua solicitação formal de adesão ao organismo multilateral. "Os palestinos têm que negociar a paz com Israel primeiro e depois ter um Estado. Quando isso acontecer, Israel não será um mais em reconhecê-lo, seremos o primeiro", considerou o primeiro-ministro israelense.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, para que se reúnam esta sexta-feira nas Nações Unidas para discutir os esforços de paz no Oriente Médio.

"Vamos nos reunir hoje nas Nações Unidas", disse Netanhayu durante discurso à Assembleia Geral da ONU, pouco depois de Abbas apresentar o pedido de adesão de um Estado da Palestina às Nações Unidas. "Não posso fazer a paz sozinho. Não posso fazer a paz sem você", disse Netanyahu a Abbas, antes de acrescentar: "somos ambos filhos de Abraão... Nossos destinos estão entrelaçados".

"Estamos a milhares de quilômetros de nossas casas, estamos no mesmo edifício. O que nos impede de nos reunir e começar a negociar?", questionou Netanyahu. "Israel está preparado para ter um Estado palestino na Cisjordânia, mas não para ter uma nova Gaza", declarou Netanyahu, que também vinculou a violência da militância islamita com o terrorismo, e assinalou que deseja "negociações verdadeiras e sérias".

No entanto, Abbas deve deixar Nova York ao longo do dia, legando ao Conselho de Segurança da ONU os debates sobre o pedido palestino, que devem levar algumas semanas antes de ser votado, deixando um prazo para negociações.

"A verdade é que Israel quer a paz, eu quero a paz, o Oriente Médio deve ter paz com segurança, e (a paz) só se consegue com negociações diretas entre as partes", disse Netanyahu, acrescentando que "a verdade é que não há paz com os palestinos e que os palestinos querem um Estado sem paz". Netanyahu começou seu discurso garantindo que Israel "estende a mão ao povo palestino porque buscamos uma paz justa e duradoura" e que seu país "quis viver em paz desde sua fundação", mas ressaltou que sua nação "é um país pequeno com grandes problemas de segurança".

Além disso, censurou a Assembleia por suas decisões dos últimos anos relativas ao conflito palestino, que teriam sido para Israel "um túnel de escuridão". "Hoje estendo a mão novamente ao Egito, à Turquia, e o faço com respeito e boa vontade, também à Líbia e à Tunísia, com admiração por tentar construir um futuro democrático, da mesma forma que aos países do norte da África e aos da península Arábica que buscam um novo futuro", destacou.

Netanyahu acrescentou que igualmente "estende a mão aos povos de Síria, Líbano e Irã, que têm a coragem de lutar contra uma repressão brutal, e especialmente aos palestinos". O primeiro-ministro israelense frisou que "os palestinos têm que reconhecer também o Estado judeu de Israel, que protege a todas suas minorias. Porém, há poucos dias seus representantes disseram aqui mesmo, em Nova York, que não admitirão um só cidadão judeu. Isso é limpeza étnica", disse.

"Minha esperança é a paz, mas, como primeiro-ministro, não posso arriscar o futuro dos israelenses por bons desejos. Temos que fazer o melhor para desenhar o futuro, sem desdenhar do presente", acrescentou, considerando que "o futuro de Israel é cada vez mais perigoso". O político israelense, que há poucos dias qualificou de "unilateral" o pedido palestino, assegurou que Abbas será seu "sócio na paz. Quero ser parte da paz. Em meu primeiro dia como primeiro-ministro, pedi negociações diretas incondicionais, mas não obtive respostas", lamentou. "Não posso fazer a paz sozinho. Estendo minha mão (a Abbas), a mão de Israel, para fazer a paz. Nossos destinos estão misturados", concluiu.