Em funeral de ex-presidente, Karzai promete continuar esforço de paz no Afeganistão

O presidente afegão, Hamid Karzai, se comprometeu nesta sexta-feira a prosseguir com os esforços para restabelecer a paz em seu país durante os funerais nacionais de Burhanudin Rabani, o ex-chefe de Estado que havia se dedicado às negociações de paz e foi assassinado há três dias.

"O sangue derramado pelo mártir (Rabani) e outros mártires em nome da paz nos compromete a continuar com os esforços até conseguirmos alcançar a paz e a estabilidade" no país, declarou Karzai durante a cerimônia organizada nesta sexta-feira de manhã.

"Nós continuamos nossos esforços para alcançar a paz, em conformidade com a vontade do professor" Rabani, embora "ao mesmo tempo, seja nossa responsabilidade combater os inimigos da paz com determinação", acrescentou.

No fim de 2010, Karzai pediu a Rabani que estabelecesse contatos com os insurgentes talibãs para abrir negociações com o objetivo de pacificar o país, atingido há dez anos pela guerra entre o governo de Cabul, apoiado pela força internacional da Otan, e os guerrilheiros.

O centro da capital afegã, geralmente cheio de cordões de isolamento militares e policiais, foi transformado em um verdadeiro acampamento entrincheirado nesta sexta-feira para este funeral, que será realizado na cidadela fortificada do palácio presidencial.

O ex-presidente Rabani será enterrado em uma colina que domina a capital, perto de sua residência.

Herói da resistência contra as tropas soviéticas nos anos de 1980, mas questionado como todos os outros senhores da guerra afegãos por organizações dos Direitos Humanos na década de 1990, Rabbani foi presidente do país de 1992 a 1996.

Membro da etnia tadjique e originário do norte do Afeganistão, ele voltou à cena política no ano passado ao ser nomeado chefe do Conselho Superior para Paz (HPC), encarregado de estabelecer o diálogo com os talibãs.

O ex-presidente foi morto em sua casa por um homem-bomba que se passou por um mensageiro do grupo fundamentalista. Apesar de a polícia ter imediatamente acusado os rebeldes pelo atentado, a autoria do ataque ainda não foi reivindicada.

Em uma mensagem postada na internet, o porta-voz dos rebeldes, Zabihullah Mujahid, disse não poder fazer declarações sobre o caso, indicando que aguarda mais informações para se pronunciar.

Os talibãs intensificaram consideravelmente suas ações nos últimos quatro anos no Afeganistão, apesar da presença das forças internacionais, constituídas por aproximadamente 140.000 soldados.

Eles multiplicaram os atos de guerrilha, sobretudo em Cabul, no momento em que a Otan prevê a sua retirada até 2014 para confiar a segurança do país às frágeis forças afegãs.