"É irônico, quase tragicômico", diz conselheiro de Israel sobre pedido da Palestina na ONU

Em entrevista ao JB, o conselheiro político de Israel no Brasil, Leo Vinovezky, comentou a oficialização do pedido de adesão da Palestina à ONU, prevista para sexta-feira. Apesar do veto à proposta já anunciado pelos Estados Unidos, o debate sobre a questão ainda mais desconfortos entre israelenses e palestinos.

>> Israelenses e palestinos se enfrentam mais uma vez na ONU

>> "Israel tem que mudar de atitude", diz embaixador da Palestina no Brasil

Como o senhor vê a iniciativa presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas?

Vejo o pedido com estranheza, porque é irônico, quase tragicômico, que, depois de 63 anos, depois de tantos atentados e violência, a Palestina procure, agora, criar unilateralmente um Estado. As fronteiras têm que ser decididas com os vizinhos. Acredito que a maioria da população israelense concorde com a criação de um Estado Palestino, mas a questão é: sob que condições? Israel vai ser reconhecido pelos árabes?

A paz com Israel é possível, quando é bilateral. Para falar de paz tem que haver duas partes, ela não pode ser uma imposição. Se outros países querem contribuir, serão bem-vindos, mas esses terceiros não podem impor acordos, com todo respeito às Nações Unidas.

 Não é possível, como defendem os palestinos, aceitar a adesão e depois retomar as negociações?

Para mim deve ser exatamente o contrário. Primeiro é preciso discutir as fronteiras, e depois pedir adesão à ONU. As duas partes têm que ser reconhecidas primeiro. A Palestina é um Estado prematuro, tem muita guerrilha, muita arma. Um Estado precisa ter monopólio sobre suas armas. Na história das negociações, se alguém pagou preços, foi Israel, que se retirou unilateralmente da Península do Sinai, do sul do Líbano e da Faixa de Gaza. Em troca disso queremos tranqüilidade, reconhecimento. Se a ONU vai realmente aceitar a Palestina, Israel também tem que ser reconhecido, não podemos mais viver com as ameaças. Se a Palestina quer ser parte do conselho das nações, ela tem que se tornar uma nação. Não pode ser nação por um lado, e rede terrorista por outro. Temos interesse em vizinhos tranquilos.

Quanto aos debates sobre as fronteiras que cada Estado teria, Israel estaria disposto a negociar?

Fronteiras têm que ser debatidas entre Israel e Palestina, estamos destinados a viver como vizinhos, então vamos fazer da melhor maneira. A ONU tem papel central nos conflitos mundiais, mas a questão tem ser discutida unicamente pelos envolvidos. Resolução unilateral não traz solução.

Então como dar o próximo passo nas negociações?

O premier israelense, Benjamin Netanyahu, dirigiu-se aos palestinos, propôs: “vamos sentar à mesa agora para conversar”, mas não houve resposta. Isso mostra que Israel sempre quis manter conversar bilaterais, pois acreditamos que as duas nações têm que ser o centro da discussão, mesmo que outros países queiram participar. São os palestinos e os israelenses que entendem o conflito, e são eles tem que resolvê-lo. Tudo isso sem fazer uma ilusão ao mundo de que dá pra resolver os problemas com uma resolução internacional.

Apuração: Maria Eduarda Ornellas