Síria: pelo menos 2.600 mortos desde o início da repressão

Pelo menos 2.600 pessoas morreram na Síria desde o início da repressão às manifestações contra o regime em meados de março, afirmou nesta segunda-feira, em Genebra, a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay.

"A respeito da Síria, segundo fontes confiáveis presentes no local, o número de mortos desde o início da violência em meados de março alcançou pelo menos 2.600", disse Pillay, ao abrir a 18ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Presidente russo descarta pressões suplementares

O presidente russo, Dmitri Medvedev, descartou nesta segunda-feira em Moscou a necessidade de "pressões suplementares" sobre a Síria, opondo-se a qualquer resolução do Conselho de Segurança da ONU dirigida a sancionar o regime do presidente Bashar al-Assad.

"Não há necessidade de pressões suplementares" sobre a Síria, disse Medvedev, ao receber em Moscou o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

O presidente russo disse que uma resolução da ONU sobre a Síria deve ser "firme, mas equilibrada", e sem sanções "automáticas".

"Esta resolução deve ser severa, mas não deve prever a adoção de sanções de forma automática, já que a União Europeia e os Estados Unidos já adotaram uma grande quantidade de sanções e não há a necessidade de pressões suplementares", disse Medvedev.

"A Rússia parte do princípio de que é necessário adotar uma resolução firme, mas equilibrada, e dirigida às duas partes do conflito sírio, tanto para as autoridades oficiais, lideradas por Bashar al-Assad, quanto para a oposição", declarou Medvedev em uma coletiva de imprensa comum com Cameron.

Por sua vez, o primeiro-ministro britânico insistiu em mais sanções contra a Síria e na saída do poder do presidente Assad.

"Não vemos futuro para o presidente Assad e para seu regime", declarou Cameron.

A Síria registra desde 15 de março uma revolta popular sem precedentes contra o regime de Assad, que foi violentamente reprimida.

A Rússia, aliada tradicional da Síria, é contra a adoção pelo Conselho de Segurança da ONU de uma resolução de condenação do regime sírio, oficialmente para evitar que se repita no país o que ocorreu na Líbia.