"Estamos mais fortes após o 11 de Setembro", diz Obama 

Na véspera do décimo aniversário dos atentados de 11 de setembro, o presidente Barack Obama afirmou, neste sábado, que os Estados Unidos jamais hesitarão ante o perigo.

"Hoje, o país está mais forte e a Al-Qaeda, no caminho da derrota", afirmou o presidente, em seu programa semanal de rádio e internet.

"Graças à coragem e precisão de nossas forças, fizemos justiça, com a morte de Osama bin Laden", assinalou.

"Uma década depois do 11/9, ficou claro que os terroristas que nos atacaram naquela manhã de setembro não tiveram o êxito pretendido, pelo caráter de nosso povo, pela resistência de nossa nação e de nossos próprios valores", afirmou Obama.

"Demonstramos isso novamente neste final de semana, permanecendo vigilantes".

Obama insistiu num aumento da vigilância e do estado de alerta e pediu que sua equipe nacional de segurança continue apurando com rigor toda a informação da inteligência sobre a possibilidade de um ataque com bomba.

O presidente saudou "a excelente coordenação e a partilha de informações em níveis federal, estadual e das coletividades locais", mas destacou que os Estados Unidos "não devem tão cedo baixar a guarda em seus esforços, porque a segurança dos americanos é a prioridade do governo".

Segundo a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a Al-Qaeda está por trás de uma nova ameaça de atentado "específica, verossímil, mas não confirmada" contra os Estados Unidos.

O ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que estava no cargo no momento dos atentados de 11 de setembro de 2001, também pediu neste sábado aos americanos que não baixem a guarda ante a ameaça terrorista, durante a alocução semanal do Partido Republicano.

Giuliani considerou que o compromisso americano no Afeganistão e no Iraque havia contribuído para "impedir outros atentados de grande magnitude".

Advertiu, além disso, para um "desejo de desmilitarização". Para ele, a retirada das tropas americanas, comprometidas na luta antiterrorista, não deve ser realizada "segundo um calendário politicamente oportuno".

"Não devemos deixar que nossa impaciência impeça nossas Forças Armadas de alcançar seus objetivos no Iraque e no Afeganistão", disse ele.

Os comentários de Giuliani foram feitos no momento em que a Casa Branca planeja manter no Iraque um efetivo de 3.000 a 4.000 homens depois de 2011, contra os 46.000 atualmente mobilizados no país.

No Afeganistão, um calendário de retirada de tropas também foi posto em prática, para mandar de volta aos Estados Unidos um terço dos 100.000 militares até 2012.

Já o Papa Bento XVI afirmou neste sábado que os atentados do 11 de setembro foram "ainda mais graves porque seus autores disseram agir em nome de Deus".

Em carta enviada ao arcebispo de Nova York, pelo 10º aniversário da tragédia, disse que, neste dia, seus pensamentos se voltam para os acontecimentos sombrios do 11 de setembro de 2001, quando tantas vidas inocentes foram perdidas.

"Cada vida humana é preciosa aos olhos de Deus e nenhum esforço deve ser poupado para promover, através do mundo, um respeito verdadeiro aos direitos e à dignidade de indivíduos e povos".

Vários dirigentes enviaram mensagens a Obama em ocasião do trágico aniversário, como a presidente Dilma Rousseff, que colocou o Brasil à disposição dos Estados Unidos para a construção de uma nova ordem internacional pacífica e justa, segundo carta enviada neste sábado.

Dilma expressou em nome do povo brasileiro "pesar e solidariedade" aos americanos.

O presidente americano participará neste domingo das diversas cerimônias que marcarão o aniversário dos atentados.

Uma das cerimônias foi programada para este sábado, em Shanksville, Pensilvânia, com a inauguração de um memorial nacional pelas vítimas do voo 93 da United Airlines.

Um longo muro de pedra branca exibe os nomes daqueles que lutaram contra os terroristas da Al-Qaeda que sequestraram o quarto avião no 11/9, um Boeing 757 que caiu na zona rural da Pensilvânia.

O então presidente George W. Bush, seu antecessor Bill Clinton e o atual vice-presidente, Joe Biden, se juntaram às famílias das vítimas e a outras várias centenas de pessoas para ver a solene iluminação de cerca de 3.000 luminárias em memória de todos aqueles que morreram no World Trade Center, no Pentágono e em Shanksville.

No domingo, em Nova York, as cerimônias começam às 08h40 no Marco Zero, com a leitura dos nomes das vítimas:

Os presidentes Barack Obama e George W. Bush, o prefeito de Nova York Michael Bloomberg, o ex-prefeito Giuliani, e os governadores de Nova York e Nova Jersey estarão presentes.

A leitura dos nomes será acompanhada por música e intercalada com poemas, orações e outros breves comentários, mas não haverá celebrações religiosas.

A leitura será interrompida no exato momento em que os aviões atingiram as torres gêmeas (08h46 e 09h03 local, 09h46 e 10h03 de Brasília) e quando as torres vieram ao chão (09h59 e 10h28 local, 10h59 e 11h28 de Brasília).

Também serão lidos os nomes dos mortos no Pentágono e em Shanksville também serão lidos e momentos de silêncio serão observados no exato momento do impacto dos aviões ( 09h37 e 10h03 local, 10h37 e 11h03 de Brasília).

Depois disso, os parentes das vítimas visitarão o novo memorial no Marco Zero. O público só poderá visitá-lo no dia seguinte.

Outros eventos em Nova York vão incluir várias produções teatrais dedicadas ao 11/9, entre elas "110 Stories", com Samuel L. Jackson e outros conhecidos atores, que se apresentarão nos dias 8 e 9 de setembro no Skirball Center for the Performing Arts. Sigourney Weaver vai estrelar "The Guys", nos dias 6 e 9 de setembro.

Em Shankesville, Pensilvânia, uma cerimônia em memória das vítimas do voo 93 da United Airlines começará às 9h30 local (11h30 de Brasília)

No Pentágono, será realizada solenidade, com a presença do presidente Obama e do secretário de Defesa Leon Panetta.

Na Catedral Nacional de Washington, está programado "Um concerto pela Esperança", às 20h30 local (21h30 de Brasília), com discurso do presidente Barack Obama e apresentações do astro country Alan Jackson, a lenda do R&B Patti LaBelle e a renomada mezzo soprano Denyce Graves.

A segurança voltou a ser reforçada em Nova York e Washington, após o anúncio de uma "ameaça" de atentado.

Carros, ônibus, caminhões, passam por revistas, com os motoristas sendo obrigados a apresentar documentos e os policiais, verificarem o interior do veículo.

Em Penn Station, uma das estações de Nova York, no centro de Manhattan, vários veículos da polícia e agentes, ao lado de cães farejadores, vigiam as entradas, as saídas e o interior da gare.