Muçulmanos felizes com sua vida nos EUA, apesar da discriminação

Os muçulmanos americanos estão mais satisfeitos com sua vida no país do que os próprios americanos, muito embora quase a metade deles sofra discriminação e preconceito, revela uma pesquisa de opinião divulgada nesta terça-feira.

A consulta foi realizada às vésperas do 10º aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001, com vistas a fornecer um retrato dos 2,75 milhões de muçulmanos residentes no Estados Unidos.

"Apesar das notícias e das discussões sobre a possibilidade de radicalismo e extremismo islâmicos, o que nossos dados demonstram hoje é que a comunidade muçulmana americana é moderada e integrada", afirmou o analista Greg Smith, do instituto Pew Research Center.

"A grande maioria dos muçulmanos (americanos) continua a se opor ao extremismo, dizendo-nos coisas como o terrorismo suicida em defesa do Islã nunca pode ser justificado", acrescentou.

Embora 55% dos entrevistados tenham afirmado que ser um muçulmano nos Estados Unidos ficou mais difícil depois dos ataques de 11 de setembro, 48% disseram pensar que os americanos comuns costumam ser "amigáveis" com relação aos muçulmanos.

Surpreendentemente, 56% dos muçulmanos americanos se disseram satisfeitos com a forma como as coisas transcorrem no país, contra apenas 23% do público em geral.

Uma razão pode ser que os muçulmanos - que majoritariamente apóiam o presidente Barack Obama e seu Partido Democrata - estejam mais satisfeitos com o atual clima político.

Em 2007, apenas 38% dos muçulmanos consultados pelo instituto Pew se disseram satisfeitos com os rumos do país.

A consulta também revelou um aumento similar no número de muçulmanos que veem os esforços dos Estados Unidos em combater o terrorismo como "sinceros". Neste sentido, as opiniões atualmente mostraram-se equilibradas (43% a 41%), considerando que mais que o dobro dos muçulmanos americanos (55% a 26%) viam os esforços antiterror americanos como não sinceros durante a presidência de George W. Bush.

Ainda segundo a pesquisa, os muçulmanos americanos estão muito mais integrados do que o público em geral tende a pensar.

Cinquenta e seis por cento dos muçulmanos americanos disseram que a maioria dos muçulmanos que vem aos Estados Unidos querem adotar os costumes americanos, enquanto apenas um terço do público em geral pensa que os imigrantes muçulmanos desejam se integrar.

Ainda, enquanto um quarto do público em geral pensa que o apoio islâmico ao extremismo está aumentando, apenas 4% dos entrevistados concordaram.

Por outro lado, 90% dos muçulmanos americanos disseram acreditar que as mulheres devem poder trabalhar fora de casa e 68% também afirmaram não haver diferença entre líderes políticos homens e mulheres.

A pesquisa também demonstrou que, enquanto os muçulmanos americanos são profundamente religiosos - a metade disse ir pelo menos uma vez por semana à mesquita -, eles não são dogmáticos. Apenas 37% dos muçulmanos americanos afirmam haver apenas uma forma verdadeira de interpretar a religião, um ponto de vista compartilhado por 28% dos cristãos americanos.

A consulta também deu uma descrição demográfica da população muçulmana americana, que geralmente é difícil de se averiguar porque o censo americano não questiona as pessoas acerca da religião.

A pesquisa demonstrou que 63% dos muçulmanos americanos nasceram no exterior, dos quais um quarto chegou ao país após o ano 2000.

Muçulmanos nascidos no exterior são um grupo muito diverso, e nenhum país respondeu sozinho por mais de um sexto dos imigrantes. Quatro em dez vieram do Oriente Médio ou do Norte da África, enquanto um quarto veio do sul da Ásia, 11% da África Subsaariana e 7%, da Europa.

Entre o parco um quinto dos muçulmanos, cujos pais também nasceram nos Estados Unidos, 59% são afroamericanos, inclusive uma maioria considerável que se converteu ao Islã.

Por fim, a pesquisa demonstrou, ainda, que a população muçulmana cresceu em cerca de 400.000 pessoas, em 2007, para 2,75 milhões atualmente, dos quais 1,8 milhão tem 18 anos ou mais.