Primeiro-ministro indiano volta a pedir a ativista que acabe com greve de fome

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, prestou homenagem nesta quinta-feira ao idealismo do militante anticorrupção Anna Hazare, mas pediu que ele ponha fim a sua greve de fome.

"Respeito seu idealismo, o respeito como pessoa, ele se converteu na encarnação das preocupações e rejeição de nosso povo frente à corrupção, eu presto homenagem a ele", afirmou Singh no parlamento.

Hazare iniciou uma greve de fome há nove dias para pressionar o governo sobre um projeto de lei.

"Sua vida é muito valiosa, e peço a ele que ponha fim à greve de fome", afirmou o chefe de governo, antes de pedir aos legisladores que se somem a seu pedido.

Há dois dias, Singh já havia pedido ao militante para acabar com a greve.

As demandas de Anna Hazare estão centradas em um projeto de lei, chamado Lokpal Bill, que deseja criar um posto de mediador da República para fiscalizar os políticos e os funcionários públicos.

Hazare deseja que o mediador tenha poderes para investigar também o chefe de Governo e os altos magistrados no caso de suspeita de corrupção.

Singh prometeu que o Parlamento estudará "cláusula por cláusula" o projeto de lei apresentado pelo governo e outras versões, incluindo a do ativista.

A carta do premier é uma tentativa de saída da crise para o governo de centroesquerda, surpreendido com a onda de apoio popular ao ativista e às manifestações da semana passada em Nova Délhi.

Hazare iniciou a greve na sexta-feira passada, logo após sair da prisão, o que cria preocupação no governo que haja um aumento da onda de protestos contra a corrupção no país.

"Devemos gerar uma mudança total ao país", disse este admirador de Gandhi de 74 anos à multidão que o aclamava na esplanada do centro de Nova Délhi, onde as autoridades o autorizaram a levar adiante sua greve de fome durante duas semanas.

De origem humilde, Hazare serviu o exército durante 15 anos antes de dar baixa e se dedicar ao ativismo, criando a associação Movimento do Povo contra a Corrupção.

Transformou-se em uma figura nacional, cuja popularidade desestabilizou o governo, eleito em 2009 com uma contundente maioria parlamentar.

Sua campanha se alimentou do profundo descontentamento, particularmente de parte da crescente classe média, contra uma cultura que generaliza os subornos para assegurar qualquer coisa, de licenças empresariais a certidões de nascimento.

Centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas das cidades do país nos últimos dias na demonstração de descontentamento popular mais significativa dos últimos 30 anos.

A resposta do governo, particularmente a detenção inicial de Hazare e de milhares de seus partidários, tem sido amplamente criticada como uma reação trôpega de uma administração que perdeu o contato com seu eleitorado.

O momento é especialmente ruim para Singh, de 78 anos, já atingido por uma sucessão de escândalos de corrupção multimilionários nos quais estão envolvidos políticos de alto escalão.

Seu ex-ministro de Telecomunicações está sendo julgado por fraude relativa na licença de telefonia móvel, que pode ter custado ao país até 39 bilhões de dólares em tributos não recebidos.