Mesmo em meio a conflitos, ONU já se prepara para a era 'pós-Kadafi'

Os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU se reuniram, nesta terça-feira, para traçar planos com o objetivo de garantir  o fim do regime do ditador Muammar Kadafi. O subsecretário-geral da organização para Assuntos Políticos, Lynn Pascoe participou da reunião e avaliou os recentes avanços políticos do país norte-africano.

"No Conselho de Segurança estamos trabalhando com urgência para preparar o terreno para a ajuda internacional que o país necessitará", explicou ao fim da reunião o embaixador alemão adjunto perante a ONU, Miguel Berger, para quem o organismo deve assumir "um papel essencial" no país após a queda do poder de Kadafi.

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Berger se mostrou a favor que a ONU favoreça "o povo líbio a tomar o controle de seu próprio destino", por isso que apostou por que o Conselho de Segurança realize movimentos para levantar algumas das sanções que impôs ao país norte-africano e trabalhe concretamente "para desbloquear os bens do regime de Kadafi e entregando-os ao povo líbio".

Após rebeldes tomarem o quartel-general do ditador em Tripoli, Kadafi afirmou a uma rádio local, nesta terça-feira (23), que sua retirada da fortaleza foi "um movimento tático". O líder prometeu "morte ou vitória" frente ao que qualificou ser uma "agressão" das tropas ocidentais ao país. As declarações de Kadafi foram transmitidas, também, pela TV Al-Orouba. 

Kadafi acusou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de ser autora de 64 bombardeios direcionados a seu complexo. Apesar de não ter confirmado os ataques, a Otan não negou ter sobrevoado a fortaleza durante os conflitos. 

Número de mortos chega a 400

Os combates dos últimos três dias entre tropas rebeldes e forças leais ao coronel Muammar Khadafi deixaram mais de 400 mortos e 2 mil feridos em Trípoli, revelou nesta terça-feira o presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Moustapha Abdeljalil.

"Segundo as primeiras informações, o número de mortos durante a tomada de Trípoli, que durou três dias, é superior a 400, além de 2 mil feridos", disse Abdeljalil à TV France24, precisando que a luta prosseguirá até a prisão de Muammar Kadhafi.

Entenda o conflito

Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.

A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmicaintervenção internacional, atualmente liderada pelaOtan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de julho, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.

Com agências